quando sua fraqueza se torna sua maior força

 

cada vez mais eu sinto que o bonito da vida é acumularmos marcas de cada experiência pela qual passamos. fazer gol é um marco, assim como é errar o chute. e esse final de semana eu acumulei mais uma grande marca.

acredito que em algum momento da sua vida você também já ouviu falarem (ou falou) que “homem não chora” ou que é melhor “tomar cuidado para não expor suas fraquezas”. aquela simples, porém falsa, ideia de que vencem os mais fortes.

eu pelo menos por muito tempo encarei isso como algo natural… quanto mais forte você é, mais batalhas você vence. e quanto mais forte você demonstra ser, mais vantagem você ganha sobre seus adversários.

porém, nesse último final de semana vivenciei momentos que me provaram que nem sempre essa máxima é verdadeira. momentos em que as fraquezas tornaram-se forças e em que as armaduras perderam completamente sua razão de ser.

foram 3 dias inteiros imersos com a minha equipe, 19 pessoas envolvidas nos mesmos objetivos: gerar clareza.

tudo começou com um teste de personalidade que optamos por oferecer a todos para assim criar também um perfil da própria empresa. cada um fez seu teste individualmente, mas planejei de forma que pudéssemos fazer a devolutiva presencialmente, aproveitando o momento para fazermos novas construções internas, de cultura, de estrutura, de relacionamento…

achei que seria apenas mais um momento de clareza, de trazer para o mundo real o que nasce no mundo das ideias. nos reunimos para co-construir ações importantes da empresa e acabamos construindo muito mais do que isso.

foram dias de entrega e conexão, graças a nossa fraqueza. ou melhor, graças ao desprendimento de todos em camuflar suas verdades.

e isso que para muitos poderia ser um sinal de fraqueza, gritou para mim como sinal de muita força e comprometimento.

força porque se expor intencionalmente significa, antes de tudo, estar seguro de si. é um sinal de autoconfiança e de inteligência emocional.

aceitar uma situação de vulnerabilidade e mergulhar dentro de si mesmo exige coragem… conhecer-se de forma profunda e legítima, expressar-se seguindo seus instintos, sua intuição e seus objetivos.

e ao mesmo tempo que abrir-se para o momento e para as pessoas é uma atitude de quem está seguro de si, é também um sinal de importar-se com o outro, de agir considerando-o.

já tinha alguma vez olhado por esse prisma? quando uma pessoa se revela, abaixa a guarda e abraça a situação, está não apenas se descobrindo, mas também sendo generoso com o outro. generoso na medida em que abre espaço para a verdade e para novas construções.

sabe por que? porque os relacionamentos se criam na base da confiança e da identificação. quando você enxerga no outro pontos que vocês tem em comum a conexão é imediata e tudo fica mais fácil. mas quando o que salta aos olhos é um abismo, a desconfiança e a insegurança predominam.

acontece que na vida acabam sendo poucas as ocasiões em que nos relacionamos apenas com pessoas com as quais nos identificamos. portanto, para criarmos relações sólidas e saudáveis essas duas qualidades tem que se surgir de outras formas… uma delas, sem dúvida, é através da empatia.

pode ser que a gente não tenha nada a ver um com o outro, mas se eu for empática com você a chance de criarmos um fiozinho de conexão passa a ser muito maior.

a empatia quebra barreiras e iguala as pessoas… ela faz sua fraqueza ser valorizada, sua força virar fonte de inspiração e sua exposição sincera ser admirada.

foi um pouco de tudo isso que vimos aqui esses esses dias: uma relação muito forte de confiança se evidenciou, não por sermos todos parecidos, mas pelo fato de nossas visões convergirem e estarmos abertos a evoluir juntos.

isso nos aproxima e nos permite confiar um no outro. fechar os olhos e saber que vai ter gente ali para te segurar.

reconhecer um ponto de vulnerabilidade é ser íntegro consigo mesmo assumindo a responsabilidade da melhoria, ao mesmo tempo que é se abrir genuinamente para o outro, criando vínculos empáticos e não apenas idealizados.

eu sempre fui uma pessoa mais preservada, a amiga que escutava mais do que falava, que dava muitos conselhos e pedia poucos, pois isso implicaria em expôr minhas ações, sentimentos e valores. eu sabia muito das minhas amigas e elas, no fundo, sabiam pouco de mim. e assim eu ficava mais confortável.

um dos motivos que me incentivou a criar o blog foi justamente me desafiar nesse sentido, pois eu sabia que trabalhar essa minha “exposição” era algo que me fortaleceria.

se para alguns a exposição é natural, para outros ela pode ser uma oportunidade.

sem dúvidas para mim foi isso, um conjunto de oportunidades… oportunidade de me questionar com maior frequência, de me forçar a ser melhor dia após dia, e de enxergar que posso gerar para as pessoas um valor que eu nem imaginava estar sob meu poder.

assim como foi para mim o blog, esse final de semana foi também uma oportunidade para a nossa equipe e empresa… oportunidade de nos conhecermos potencialmente e fortalecermos os elos que nos unem.

o que mais me marcou não foi o que eu descobri de cada um (e que em muitos casos nem poderia imaginar). o que mais me marcou foi o potencial de elo, construção e evolução que existe por trás de uma verdade revelada, seja ela uma força ou uma fraqueza.

entendi melhor também porque muitas vezes a gente escuta que não existe certo ou errado. no fundo, o que existe são encaixes, as combinações mais harmônicas. existe o que a gente consegue fazer com o que tem em mãos.

‘força não é fingir ser alguém que você não é. é ter a coragem de viver de verdade quem você é”. – marie forleo

simples, porém a meu ver poderoso.

era isso, apenas isso que eu queria compartilhar hoje… uma marca e algumas palavras que podem te ajudar a parar e pensar quanto você está abraçando os momentos, se revelando para o mundo e honrando quem você é.

será que você está na linha de frente ou está se escondendo? será que está lidando com o que tem (seja isso uma força ou fraqueza) ou está se enganando?

 

  • Marcio Nobre

    Excelente artigo, me identifico muito com o que você disse ser aquela amiga que mais escuta, que mais dá conselhos…eu também sou assim, escuto mais do que falo, vejo amigos se abrirem de problemas e desabafando e eu muito pouco, por medo, por me expor, por demostrar fraqueza. Muito obrigado pelo artigo que me fez refletir muito sobre isso agora. Gratidão.

    • Marina Teixeira

      Feliz pela reflexão gerada, Marcio!
      🙂

  • Matheus Jacobina

    Legal, Marianinha!! Eu vinha percebendo isso há algum tempo também. Como tenho perdido o medo de expor meus defeitos.. Não só aos outros, como principalmente para mim mesmo. É um grande passo para uma evolução cada vez mais forte e consistente! =D

    • Marina Teixeira

      Quando a gente reconhece e se compromete a evoluir o que era fraqueza ganha força!
      Corrigindo… É Marina 😁

  • Jackline bm.

    Que incrível isso de encontrar respostas, sinais..A arte talvez seja isso, direção. Estou a alguns dias de subir meu primeiro vídeo pro meu canal no youtube, nume tentativa disso mesmo, produzir algo pra mim, tirar de dentro o que é de fora, já que por tanto tempo me escondi por medo. Obrigada por isso. Um beijo “Marininha”.

    • Marina Teixeira

      Beijo, Jackeline!
      E sobe logo esse vídeo sim, o mundo agradece 🙂

  • Lucia Amato Muner

    Mariina!!!! Show de bola, aliás todos os seus depoimentos, muito, muito bons.
    Me identifiquei totalmente com esse. Essa sou eu. E para falar a verdade estava pensando sobre isso exatamente, veja bem, exatamente agora no banho antes de dormir. Incrível! Um dos grandes aprendizados no Moving Up foi exatamente isso, que implicitamente aparece no curso, o saber se expor. Os seus Snaps com o Gabriel, fala muuito sobre isso, é uma arte e um poder que também preciso, e quero, aprender.
    Valeu o dia de hoje, só agradecimentos.

    • Marina Teixeira

      Maravilha, Lúcia 🙂
      E boa observação… Saber se expor!

  • Rafael

    Poxa vida, enquanto lia o texto, tudo que consegui pensar foi na luta entre, o ego e a humildade. Quantas coisas perdemos pelo simples fato de não reconhecer alguém sendo mais competente que você em alguma coisa? Parece um sinal de fraqueza, porém pedir ajuda, falar que não sabe, ou que tem medo é um ato tão nobre. E por falar em empatia o poder que isso proporciona é algo maravilhoso, fechar os olhos e se imaginar com as dificuldades e limitações do que no seu ponto de vista são coisas bobas é mais nobre ainda. Obrigado pela reflexão Marina.

    • Marina Teixeira

      Nobre e libertador!
      Obrigada pela considerações, Rafael!

  • TALITA MENDES

    Hoje não tenho palavras, apenas gratidão por suas palavras. Me parece que seus posts caem como uma luva todas as semanas. Nesta especialmente, foi perfeito. Obrigada! Uma linda semana a você!

    • Marina Teixeira

      Que delícia saber disso, Talita!
      Viva o sincronismo 😘

  • Juliana Guimarães

    Buscar a autenticidade, baixar a guarda e desprover do ego. Meu exercício diário, ainda mais por passar tanto tempo a esconder quem sou. Fraqueza se torna força realmente.

    • Marina Teixeira

      👊🏼😉

  • Alice Viviani

    Gratidão Marina! Abraços.

    • Marina Teixeira

      Sempre um prazer, Alice!

  • Samantha Bertolucci

    Marina,
    Sensacional … além de tudo o que já foi comentado, gostaria de incluir e parabenizar sua atitude como líder.
    Passar por essa experiência juntamente com sua equipe, te torna uma líder rara. Uma líder que se preocupa e se abre (de verdade) com sua equipe não vemos em qualquer lugar!
    Obrigada por nos mostrar um pouquinho do seu trabalho e sorte dos que têm a oportunidade de fazer parte dessa equipe!
    Um grande abraço … =)

    • Marina Teixeira

      Obrigada, Samantha! ❤️

  • Camila Carvalho Setuval

    Oi Marina!
    Adoro seus textos, e eles fazem eu me questionar sobre as ações que estou tomando diariamente!
    Obrigada!

    • Marina Teixeira

      Eles me fazem fazer o mesmo, Camila, e é exatamente essa a intenção! 😉

  • Vanessa Bueno

    Olá Marina, muito boa as suas reflexôes, mas é preciso ter atenção para quem nos expomos, pois devemos fazê-lo com inteligência e no momento correto, pois pode acontecer da pessoa (ou melhor da má pessoa) usar a sua fraqueza contra você. Isso já aconteceu comigo e é devastador. Um grande abraço!

    • Marina Teixeira

      Sim, Vanessa, watch out sempre!
      Só acho que aí é mais uma questão de escolher melhor quem faz parte do seu ciclo de influência e amizades.

  • Atílio Antônio

    Sensacional, acredito e tento fazer das suas palavras a atitude no dia a dia. A conexão plena, com certeza, é assumir o seu verdadeiro EU. Parabéns Marina, continue nos inspirando!

    • Marina Teixeira

      Obrigada, Atílio! Muito bom saber que minhas reflexões geram inspiração!
      🙂

  • Fabricio Jose Augusto

    Ser transparente, ser verdadeiro… Acima de Tudo consigo próprio… Esta é a minha Arteeee!!

    • Marina Teixeira

      👏🏼😄

  • Max David

    Muito bom! Passei muitos anos construindo uma sólida casca que me protegia do mundo. Fui ficando rígido por fora, mas mole e frágil por dentro. Privado das interações e de todo o crescimento que elas provocam. Apenas recentemente descobri que quebrar a casca e expor minhas vulnerabilidades só me fortalece. E a empatia é a chave para as interações enriquecedoras. Vou ficando mole por fora e sólido por dentro.

    • Marina Teixeira

      Boa, Max!! Adorei a analogia!

  • Ana Ibiapina

    Muito bom Marina! Suas reflexões tem contribuído muito para autoconhecimento, trabalhar as verdades íntimas e também na orientação e criação de meus filhos…Grata!

  • Ana Letícia Santos Rodrigues

    Amei o post , me identifiquei Muito Marina, lendo seu post , pude perceber que sou completamente fechada , e não exponho meu verdadeiro EU , que acabei criando uma pessoa extremamente dura e fria por fora, e por dentro , uma pessoa fraca, emocionalmente frágil e inerte das situações da vida em geral .. É bom exercer o autoconhecimento , e lendo seus texto pude começar a me ver !
    Parabéns =D