é por isso que você ainda não vive sua arte ou não consegue expandi-la

 

 

já parou pra pensar que talvez você não esteja vivendo sua arte simplesmente porque está deixando outras coisas se colocarem entre vocês?

que às vezes você faz menos do que deveria porque tenta abraçar o mundo? ou porque está fazendo mais do que definitivamente não deveria?

uma das coisas que mais me encantam são musicais. amo o conjunto da dança com a música, e fico fascinada pelas grandes produções.

uma vez eu assisti um vídeo que mostrava todos os bastidores de um dos maiores shows do cirque du soleil, o ó, que acontece em parte embaixo da água. assisti ao espetáculo em las vegas e achei fascinante, mas quando vi o vídeo mostrando toda a preparação e os processos que rolam por trás das cenas, fiquei verdadeiramente impressionada.

você consegue imaginar quantas pessoas trabalham em conjunto pra fazer algo incrível assim acontecer? e já pensou que simplesmente não daria certo se a pessoa da iluminação um dia tivesse que cuidar dos cabos que carregam os bailarinos nas cenas áreas? ou se o câmera tivesse que entrar no lugar do palhaço?

é realmente impressionante. o estado da arte exige tudo isso: organização, processos, pessoas responsáveis por uma única tarefa. responsáveis por fazê-la com maestria.

em contrapartida, semana passada (nos últimos dois dias da minha viagem), participei de um evento de empreendedorismo lá em san diego. foi uma espécie de mastermind, um encontro para empreendedores digitais discutirem seus negócios, compartilharem ideias e buscarem mais crescimento.

na minha mesa sentou um médico, dono de um SPA no texas, que estava já há algum tempo apostando no marketing online e no poder das mídias sociais para expandir seu negócio.

de cara eu achei que ele era mais um que tinha se apaixonado pelo empreendedorismo e que estava lá buscando formas de expandir seu negócio pra poder sair da parte prática (como médico do SPA) e entrar no mundo das ideias (como empreendedor). mas foi ele começar a falar para eu entender que o caso não era bem esse.

o ponto era que todas as ações que ele vinha fazendo pra expandir o SPA não estavam dando resultado. as pessoas começaram a dar feedback, deram várias ideias de novas estratégias que ele poderia seguir, falaram da possível falha na comunicação com o público e até mudar o foco do SPA sugeriram.

e a única coisa que eu conseguia pensar era “como ele quer ir para o próximo nível se parou de viver a sua arte e está sendo engolido pelo trabalho? como expandir um negócio que tá todo concentrado nele?”.

é, o buraco começava mais embaixo.

logo descobrimos que a empresa era ele e ponto. ele era o médico, o designer, o gestor de mídias, o responsável pelo marketing… enfim, ele estava tentando ser Deus e dar conta de tudo sozinho (e ainda crescer o negócio).

lembrei do espetáculo do cirque de soleil. a cena que vinha na minha cabeça era um espetáculo todo compartimentado… primeiro vinha a iluminação, pausa. Corre pra mudar o palco de posição, pausa. troca o cenário, pausa.

sim, meu colega de mastermind tava vivendo um hardwork pesado. e sim, eu defendo isso… quando você está fazendo a sua arte, claro. Do contrário, pode ser em vão.

não adianta querer abraçar o mundo e dar conta de tudo (se não houver estrutura pra isso), porque aí aquela frase “o céu é o limite” simplesmente deixa de fazer sentido e os limites começam a aparecer.

e por isso muita gente acaba não vivendo sua arte, ou não consegue levá-la pro mundo.

a velocidade com que as coisas acontecem hoje e a necessidade de fazer pra ver acontecer muitas vezes fazem com que a gente se sabote. e aí ninguém entende porque os resultados não aparecem.

mas eu quero te dar uma dica desse por quê: já se perguntou porque você faz tantas coisas, mas tão pouco daquilo que você faz como ninguém?

é, você deveria estar fazendo apenas aquilo que considera ser sua habilidade única, aquilo que ninguém mais sabe fazer como você. como se fosse a sua área de genialidade… ou como a gente gosta de falar aqui, a sua arte!

é muito comum as pessoas se perderem no caminho ou não conseguirem entrar de cabeça nas coisas por terem que lidar tanto com coisas que para elas não fazem real sentido.

agora imagina o quanto você produziria num dia se pudesse fazer só aquilo que você faz de melhor, aquilo em que você realmente se considera um artista. Aqui não é nem só uma questão de produtividade e resultados, mas também de satisfação.

analisando a vida dos artistas que eu mais aprecio, cada um na sua área de atuação, e também em como eu e o gabriel vimos conduzindo nossa empresa (recentemente contratamos 5 novas pessoas e é impressionante o crescimento que isso está nos gerando), eu cheguei a conclusão que 3 coisas são fundamentais pra você poder viver a sua arte e expandí-la sem limites, contando apenas com o céu.

o primeiro passo… desapegar!
e antes de tudo desapegar do seu ego.

sim, porque não importa se você é CEO de uma empresa, se é o líder ou um dos membros de uma equipe, você sempre tem que querer ao seu lado pessoas mais inteligentes que você.

não abra mão da sua arte. seja um artista, mas não pense em monólogos… se você quer ir longe mesmo, não adianta ir sozinho (e nem mal acompanhado).

quanto melhores forem os artistas com quem você dividir o palco, maior será a sua satisfação e a da platéia. e quanto mais artistas, maior o espetáculo, maior o público… maior o show!

mas pra que você desapega? pra dar o segundo passo… delegar!

você desapega pra poder focar na sua habilidade, construir o melhor ambiente possível e delegar tudo aquilo que você não faz ou não dá conta de fazer com excelência.

já dizia Steve Jobs, “concentre-se naquilo que você é bom, delegue todo o resto.”

e eu sei, não é nada fácil delegar. meu parceiro de mastermind deixou isso muito claro, “eu já tentei, mas quando o designer fazia não ficava tão bom e aí eu desisti, achei melhor assumir mesmo”.

pra ser capaz de delegar você precisa desapegar dos detalhes, daquela extrema necessidade das coisas serem o tempo todo do seu jeito ou de serem perfeitas. pelo menos por um tempo, deixe isso de lado.

depois, eduque as pessoas que estão com você no palco, dê as direções, envolva-as no espetáculo e tenha paciência. é questão de tempo para elas não só decorarem as cenas, mas entrarem de corpo e alma no personagem.

um empreendedor ou qualquer trabalhador autônomo precisa delegar cargos e tarefas se quiser crescer seu negócio. precisa delegar pra construir uma base que o dê tempo, espaço e condições para focar apenas naquilo que ele sabe fazer de melhor.

OK, aí você diz que trabalha num lugar em que te dão mil e uma coisas para realizar no dia. o que fazer? se você masterizar sua arte e realmente a fizer de forma única, esse vai ser seu poder de convencimento pra que todas as outras tarefas secundárias sejam delegadas para outras pessoas.

quando você apresenta realmente um resultado diferenciado e único, sua equipe vai querer você imersa 24h nisso. ela vai enxergar o potencial.

e aí entra o terceiro passo, confiar!

confie nos outros. você não é a única pessoa competente nesse mundo e nem precisa ser. você não tem que abraçar o mundo e nem tem que ter o peso de carregar tudo nos seus braços.

se tem uma coisa que arte gosta é de liberdade. Se tem uma coisa que o artista gosta é de espaço e autonomia pra criar.

então, pra que investir seu tempo em coisas que outras pessoas podem fazer por você (e muitas vezes ainda melhor)?

é só você dar um pouco de espaço e confiar nelas. vai ver que em pouco tempo vai estar subindo no palco 100% focado apenas na sua atuação, e totalmente seguro da harmonia e competência dos seus colegas de palco.

e se você estiver aí pensando que ainda nem sabe qual a sua arte, está aqui um bom ponto de partida para essa descoberta… qual a área em que você mais gosta de atuar? o que você faz que quando entra de cabeça nisso o mundo parece que para? o que você se sente único fazendo?

por mais que possa parecer algo distante (e digo isso porque pra mim foi por um bom tempo), hoje eu acredito primeiro no fazer o que ama do que no amar o que faz.
porque quando você tem 1, consequentemente você tem 2. Mas quando você tem 2, nada te garante 1.

faz sentido pra você também?

é , eu sei que não é fácil encontrar sua arte, sua habilidade única. e às vezes parece até impossível se imaginar fazendo só aquilo em que você é melhor e que te dá satisfação, aquilo que você faz todo dia com paixão e buscando mais e mais excelência. aquilo que tira você da cama.

não vai acontecer do dia pra noite. e nem vai ser fácil.

mas você tem que desde já começar a se preparar pra isso. ir construindo as bases, a estrutura; criando a estratégia e se planejando, para o quanto antes isso se tornar a sua realidade.

no mundo do empreendedorismo, o meu mundo hoje, eu vejo muito o caminho passar por esses 3 passos: desapegar, delegar e confiar.

faça de tudo para viver a sua habilidade única. crie sua estratégia e tenha paciência.

desapegue. delegue. e confie.

quando isso acontecer você vai poder dizer que vive a sua arte. e você vai se sentir pronto pra levar ela pra todos os cantos do mundo.

compartilhe nos comentários qual vai ser, a partir de agora, as áreas da sua vida que você vai delegar para poder focar cada da mais e mais na sua arte 🙂

 

 

  • Vanusa Mello

    Faz todo o sentido, as vezes o caminho vem no imaginário, as vezes falta coragem, dá medo, mais a única forma de desbravar pra ver o resultado e enfrentando o medo, saindo da zona de conforto. Você escreve muito bem, dá vontade de ler até o final e esperar pelo próximo! Parabéns, sucesso e cada dia mais competência em sua vida, até….Vanusa.

    • Marina Teixeira

      Obrigada, Vanusa.
      Muito gostoso saber que a leitura flui… porque pra mim a escrita flui 🙂

    • Rodrigo Moraes

      Vanusa, penso que coragem é seguir com medo… seguir pro novo sem medo é mero ato mecânico …

  • Rodrigo Moraes

    Me peguei rindo durante a leitura do post … estou experimentando dessa mágica do desapego e confiando… coisas deram errado no caminho e é tentador “(…) ser o designer, o contador, Deus (…)”. Penso que tão importante quanto dar o start no desapego seja se cercar dos artistas certos e falar francamente do quando cada um é único na sua arte … a tomada de consciência é o primeiro passo ..sem ela o desapego não se manifesta …

    • Marina Teixeira

      Com certeza, Rodrigo… achar os artistas e valorizá-los.
      E o ponto é que quando você delega a uma pessoa o que ela faz como arte, e confia (deixa ela criar sem barreiras, passa a ownership), ela sente isso como valorização máxima, e isso é lindo. Essa troca faz todo mundo crescer de todos os lados!

      • Rodrigo Moraes

        O desafio fica mais divertido quando a outra pessoa não (re)conhece sua própria arte… e acredite: isso não é raro…

  • Paulo Bottino Teixeira

    Oi Marina, adorei seu post, mais ma vez muito inspirador. Acho que sou muito parecido com esse empresário que você conheceu.
    Beijos…

    • Marina Teixeira

      Hehe, é, talvez seja.
      Mas já tenho a solução pra isso 🙂

  • Jansen Osório

    Realmente faz muito sentido pra mim. Essa semana estou iniciando um novo projeto e tenho visto que delegar funções é uma chave fundamental para alcançar o sucesso. Focar somente naquilo que realmente somos bons, que realmente amamos, que temos carinho e que nos motiva muuuuuitoooo! Isso é diferente! Poucos são os que estão fazendo.

    Adorei, Marininha!

    Um abraço e outro pro Goffi também! o/

    • Marina Teixeira

      Isso aí, Jansen!
      Boa sorte no novo projeto!!

      • Jansen Osório

        Ty

  • Uiliam Diego

    “E se você estiver aí pensando que ainda nem sabe qual a sua arte”. Esse foi um trecho que me chamou a atenção. As vezes tenho planos, projetos e iniciativas. Tenho tentado focar em alguma área da minha área de formação. Mais não consigo focar, tenho a impressão que não é aquilo que me faz levantar da cama, como você própria diz. Eu gostaria sim de viver a minha Arte, mais está sendo complicado encontra-lá.

    • Marina Teixeira

      Vai sem pressa, Uiliam. E não se apega a sua área de formação não.
      Busca o que te inspira… não importa o que seja, importa que desperte o seu artista.
      Muitas vezes a gente precisa ir levando duas coisas ao mesmo tempo… mas dê tempo ao tempo, se abra para as possibilidades que logo você agarra a que for a certa pra você 🙂

  • Maria Fernanda Ayres Nogueira

    Acreditar que você não é a única pessoa competente pra fazer as coisas, e delegar… Ri muito lendo isso. Sou assim, tenho dificuldade de delegar porque tenho a fantasia onipotente de que ninguém vai cuidar tão bem quanto eu, ou que os outros vão esquecer, etc. Seríssimo isso. Ponto essencial de mudança. Até porque quero ser mãe… imagina querer fazer tudo sozinha?
    Ótimo o texto.

    • Marina Teixeira

      Independência x Onipotência – né?
      Fico com o primeiro, que nos dá muito mais poder e liberdade.
      A cada passo que a gente dá, mais pessoas “dependem” da gente (sejam filhos, funcionários, ou o que for), e mais essencial é delegar. E se não for assim, uma hora racha!
      Quando vem o baby? 😀

      • Maria Fernanda Ayres Nogueira

        Hahaha baby só daqui uns 5 anos, no mínimo. Tenho outros planos antes… muita coisa que quero fazer pra mim! Aí qdo for a hora, vou poder curtir bastante né? E vc, tem vontade?