porque você também deveria pensar e agir como um empreendedor, independente do que faça

 

é inevitável, eu recebo muitas mensagens de pessoas dizendo que ainda não encontraram sua arte. em 99% dos casos isso as incomoda e angustia, e eu entendo que isso ocorra por dois motivos:

primeiro porque parece que as pessoas morrem de medo de testar na vida. vivem naquela pressão de escolher um caminho único (e certo) e de sentirem-se seguras assim.

e segundo porque tem a falsa ideia de que só existe mesmo um caminho, de que encontrar sua arte significa encontrar aquela coisa que você tem certeza que quer fazer pelo resto da vida.

não, de jeito nenhum!

muita coisa mudou pra mim já quando eu saí da faculdade e virei sócia do gabriel. embora eu já pudesse considerar que tinha um negócio, eu ainda era refém do sistema e pouco sabia de mim… do que me dava prazer, do que eu sonhava em construir e onde poderia chegar.

da mentalidade ao comportamento, as verdadeiras mudanças vieram só quando eu comecei a me sentir empreendedora e, portanto, comecei a agir e pensar como tal. foi nesse momento que comecei a entender a minha relação com a minha arte.

e é disso que eu quero falar hoje, do porquê você também deveria pensar e agir como um empreendedor, independente de qual seja sua arte, sua profissão e suas escolhas.

ser empreendedor é estar sempre olhando para si, empreendendo na sua vida e nos seus sonhos. não importa se você tem um negócio ou não, se trabalha por conta própria ou faz parte de um time, o que importa é o impacto do que você faz, o quanto você pode potencializar o negócio do qual faz parte trazendo soluções pro mundo.

hoje o mais comum é as pessoas não serem apaixonadas pelo que fazem, e por isso costumam culpar o chefe, a empresa, os colegas ou parceiros de negócios, o sistema, o papa…

por isso eu te digo, se para você mais importante do que ter estabilidade e segurança é criar o melhor trabalho e as melhores soluções, necessariamente você precisa pensar como um empreendedor.

pois ainda que você não seja teoricamente um autônomo, na prática você é, independente do que seja! é porque sua carreira, seus resultados e sua evolução são 100% responsabilidade sua.

consideremos então que existem duas mentalidades… a do empreendedor e a do empregado

o empreendedor nunca espera que resolvam algo por ele. ele está sempre focado na solução, pois sabe que cresce, se fortalece e se liberta a cada problema que resolve ou desvenda. sabe que desenvolver-se profissionalmente depende de desenvolver-se interiormente.

o empregado espera o mundo te trazer uma solução, se abstém da responsabilidade da mesma forma que se abstém dos seus sonhos. o empreendedor vai atrás do problema para poder criar uma solução. ele toma para si a responsabilidade para poder dar voz a sua arte e vazão a sua felicidade.

se você olhar para o lado vai notar que muita, MUITA gente para de estudar quando sai da faculdade e acha que isso é normal. algumas pessoas ainda vão fazer uma especialização, mestrado doutorado… mas sempre assim, lidando apenas com o conhecimento técnico e de forma pontual, raramente tratando autodesenvolvimento como hábito.

o empreendedor nunca para de estudar. essa é, inclusive, uma das suas maiores prioridades e um dos hábitos comuns entre as pessoas de sucesso: começar o dia estudando, se alimentando de coisas positivas e que as fazem crescer.

se você começa o dia já deixando o mundo inundar seus pensamentos, não tem jeito de você focar em si. a regra tem que ser, “o mundo só entra quando eu decido abrir a porta”, e certamente não faria isso justamente no seu momento mais criativo e que vai influenciar o restante de todo o seu dia. certo?!

por isso as primeiras horas do seu dia tem que ser sagradas. suas e de ninguém mais! honre isso e você vai sentir a diferença.

e outra coisa muito importante que você tem que ter em mente é que o trabalho dos sonhos simplesmente não existe.

aquela falsa ideia de que existe um único caminho certo faz as pessoas se preocuparem muito com os erros, mas de forma errada. em vez de arriscar ficam se podando e se privando por medo de embarcar em algo e depois ter que mudar de rota, como se mudar a direção fosse algo negativo…

o empreendedor não só está sempre totalmente aberto a isso, como ele ama mudar a rota! Se há uma combinação melhor de estradas, é só disso que ele quer saber. sem angústia e sem remorso, apenas desfrutando dos aprendizados e das oportunidades.

“tá, mas e quando escuto as pessoas dizendo que finalmente encontraram o trabalho que nasceram para fazer?”.

isso é sinal de que você encontrou uma pessoa bem sucedida. poder falar isso é algo especial e único, mas não significa que essa pessoa não poderia estar dizendo o mesmo se tivesse pegado outra rota, entende? significa, apenas, que ela está plena onde está.

chris guillebeau, empreendedor americano muito conhecido por seu blog the art of non-conformity e livro do mesmo nome, fala que as pessoas bem sucedidas, aquelas que sentem que fazem o que nasceram para fazer, tem em comum e enraizado o que ele chama de “the joy-money-flow concept”:

1 – gostar do que faz e se divertir com isso;

2 – ser recompensado por isso, pois um trabalho tem que ter uma sustentabilidade financeira, do contrário é hobby;

3 – fazer algo em que você realmente é bom, aquela coisa na qual você imerge e nem vê o tempo passar, porque simplesmente flui.

o empreendedor não abre mão dessas 3 coisas, enquanto a maioria das pessoas acaba aceitando apenas a segunda. e sim, isso é uma escolha.

você pode optar por trabalhar em algo que nem gosta tanto se isso te traz um maior retorno financeiro, mas será que vale a pena aceitar fazer algo ok ao invés de buscar aquela coisa que realmente toque seu coração?

eu, pelo menos, não acredito em compensações. ter 2 sem ter 1, ou ter 3 sem ter 2 não funciona. é o combo, a melhor combinação que vamos descobrindo aos poucos, com muita tentativa e erro.

por isso, permita-se testar, experimentar, desistir… afinal, se não experimentarmos diferentes coisas como achar a melhor combinação joy-money-flow?

se isso é algo que te aflige, pronto, aqui está sua carta de alforria… desapegue da necessidade de seguir uma linha reta e foque em seguir sua essência, em dançar conforme a música. faz parte do processo de autoconhecimento!

o empreendedor está disposto a ir em zigue-zague, a ir e voltar quantas vezes por preciso, desde que assim ele esteja fazendo algo que seja significante para ele e impactante para o mundo. viver no automático, passar despercebido ou não trabalhar promovendo seus sonhos definitivamente não é uma opção.

quando eu era pequena meu pai dizia que tínhamos que estudar apenas duas coisas, teatro até os 18 anos, depois vendas.

o teatro ensina a improvisar, criar, comunicar, sentir e expressar. o que ele queria era que, independente da profissão que escolhessemos, eu e meu irmão, que estivéssemos prontos para assumir nossos sonhos e papeis, vender nossas ideias e criar nosso próprio trabalho.

ou seja, que tivéssemos sensibilidade e habilidade para empreender nossa arte, o que quer que ela fosse.

é isso que o empreendedor faz, ele cria o sweet spot, aquele “trabalho dos sonhos” que não existe. o empregado fica esperando cair no colo… e assim passa a vida esperando. em vez de subir no palco fica de telespectador.

você não vai encontrar o trabalho dos sonhos na prateleira e nem a cargo de outra pessoa, pois ele simplesmente não existe, até que você o construa! e você só constrói se cultivar dentro de si uma mentalidade empreendedora.

e repito o que disse lá no começo… você não precisa ter seu próprio negócio para sonhar e criar suas próprias obras de arte, basta que você viva o joy-money-flow concept e que esteja todo dia numa missão.

agora, se você trabalha em uma empresa, só pode ser em uma em que você acredite de verdade no valor e potencial das soluções que ela traz para o mundo. caso contrário você vai acordar todo dia, fazer o que te dizem para fazer, voltar para casa, sentar no sofá e assistir ao show de outras pessoas.

quando falta a mentalidade empreendedora as pessoas ficam sujeitas a viverem assim, entre a obrigação e a ociosidade, desconectadas de si mesmas.

o exemplo pode ser bem bobo, mas é por isso que o empregado fala da vida alheia ou do jogo de futebol durante o horário de almoço, enquanto o empreendedor fala de si e de como potencializar sua arte.

veja bem, não estou falando de cargo ou profissão, estou falando de mentalidade, de postura perante a vida. de você se portar como um empreendedor nas suas escolhas e decisões, independente de essa ser ou não a sua profissão.

“o amador está presente meio período, o profissional, período integral. o amador é um guerreiro de fim de semana, o profissional está lá sete dias por semana (…) no meu ponto de vista, o amador não ama o suficiente. se amasse, ele não consideraria como algo paralelo, distinto da sua ‘real’ vocação. o profissional ama tanto que dedica sua vida. se compromete por inteiro.” –  steven pressfield

essa é a diferença, o empreendedor não se permite ser amador. ele é um profissional, dia e noite, 7 dias por semana. ele se constrói para mudar o mundo porque ele entende algumas coisas:

primeiro que se ele não está nessa constante busca por melhorias e desenvolvimento, ele vai perder espaço e ficar para trás. o mundo passa por cima mesmo, sem dó nem piedade, porque ele dá espaço para quem sonha e está disposto a construir coisas.

e segundo que a felicidade não vem da reação, e sim da ação. não importa o que você vai fazer e se vai fazer sozinho ou como membro de uma equipe, o que importa é que possa assinar seu nome embaixo de cada obra de arte que colocar no mundo. e que todas elas tenham a sua marca, ainda que tenham também as de outras pessoas.

é isso que a gente busca aqui na high stakes academy… empreendedores que tenham suas próprias ideias e que, junto com elas, queiram dividir com a gente sua arte para que possamos potencializar aquilo em que todos acreditamos, a nossa missão!

esse post não é um manifesto para você abrir um negócio e começar a empreender, mas é certamente um convite para começar a pensar e agir como um empreendedor.

para alimentar ideias e sonhos que podem estar adormecidos aí dentro, simplesmente porque você ainda não tinha percebido que elas nascem primeiro na sua mente para depois ir para o mundo. e que só depende de você, direta e indiretamente!

  • Quando eu falo das coisas que eu já estudei e das que ainda pretendo estudar, algumas pessoas me julgam sem foco, afinal, aparentemente algumas delas não tem semelhança alguma entre si. Primeiro que eu não estudo só pra ter um determinado emprego e segundo que elas tem uma conexão sim, todas elas aperfeiçoam algum ponto em mim que eu julguei necessário explorar… Da Mecânica ao Marketing …

    • Marina Teixeira

      Perfeito, Aline!
      É exatamente esse o mindset, “todas elas aperfeiçoam algum ponto em mim” 😉

  • Vanda Diniz Furtado

    Ontem mesmo eu estava conversando com meu marido e contando como fui criada para a mediocridade. Primeira de nove irmãos a fazer uma faculdade, mas mesmo depois de formada não me sentia uma engenheira, não me sentia capaz. Hoje to eliminando esse pensamento, é dificil, a estrada é longa! Mas ja comecei, ja levantei da cadeira e dei meus primeiros passos!

    • Marina Teixeira

      Bora, Vanda! Primeiro passo dado 👊🏼

  • Adriana Pestana Greenhalgh

    Isso aí Marina!!! Ler esse texto logo pela manhã faz todo sentido!!!!Essa mudança de mentalidade é essencial não só para quem pensa em empreender mas para vida! Para ser feliz e ainda por cima para viver do que ama….me sinto tão realizada vivendo assim que quando vejo pessoas como vc e o Goffi ensinando isso fico mais feliz ainda…

    • Marina Teixeira

      Muito bom ler isso, Adriana!

  • Tiago de Paula

    Fantastico! Genial! Muito rico e esclarecedor!! Obrigado por compartilhar sua arte com o mundo!!! Keep going!!!

    • Marina Teixeira

      Keep going!
      Let’s rock!!

  • Marco Aurelio

    Lembro do Goffi falando… trabalhar na sua arte, de maneira ALUCINADA.

    Valeu Marininha!

    • Marina Teixeira

      Haha boa, Marco, alucinada mesmo!

  • Geyza

    Fez todo o sentido, Marininha! Gratidão por compartilhar seus pensamentos e ideias, com certeza faz diferença no mundo!

    • Marina Teixeira

      Obrigada, Geyza! Se uma pessoa sente isso já é muito especial!

  • Joyce Mingorance Cavallini

    Demorei uns 30 anos pra começar a pensar assim, e desde que mudei literalmente a postura diante de tudo, digo isso porque até a forma de sentar hoje é diferente, rs. Desde que penso com responsabilidade sobre todos os setores da vida, observo o quanto nosso tempo é precioso e fazer as coisas com presença significa colocar amor no que fazemos. Grata.

    • Marina Teixeira

      Que lindo! É isso mesmo, Joyce!
      ❤️

  • Patricia Rissi

    Para mim ser empreendedor é ser alguem apaixonado por criar soluções que melhorem a vida das pessoas. E realmente, você não precisa ter um negócio próprio para isso. Lindo post 😉

    • Marina Teixeira

      This!
      👊🏼😘

  • Lucilene Maidana

    Marininha, incrível o texto! Sempre estou buscando informações de como podemos desenvolver nossa Arte, mas seus artigos sempre trazem este assunto com muito carinho… uma delícia de ler!
    Fui lendo e enviando mensagens para o Claudio, insights que surgiram na leitura, para colocarmos em prática no nosso empreendimento… Gratidão!
    Um Beijo!

    • Marina Teixeira

      Aee, gerou insight é o que importa!
      Obrigada pela palavras sempre gentis 🙂

  • Vanessa Bueno

    Gratidão Marina, por mais este texto que nos agrega tanto valor. O momento em que me encontro agora é de mudança, pois no próximo mês estarei 100% focada nos meus projetos, e quero me dedicar exclusivamente a empreendê-los. Estou muito feliz pela clareza da minha decisão, adquiri muitos conhecimentos no MU 2.0, e tenho a certeza que muitos sonhos e ideias adormecidos resnacerão. Um grande abraço!

    • Marina Teixeira

      Lindo isso, Vanessa! Parabéns 🙂

  • Lincoln Nunes

    Simplesmente, fantástico o texto Marina, parabens…

  • Juliana Guimarães

    Reflexão bem colocada: “se portar como empreendedor nas suas escolhas e decisões”. Tenho vivenciado isso!
    Muito bom acompanhar teus textos Marina.

  • Julien

    “Primeiro porque parece que as pessoas morrem de medo de testar na vida. Vivem naquela pressão de escolher um caminho único (e certo) e de sentirem-se seguras assim.”

    Perfeitamente colocado, Marina!

    É impressionante como a gente entra nessa ilusão de que existe um caminho pronto e que vai ficar tudo bem se a gente segui-lo. Acho que uma das coisas mais importantes em adotar essa mentalidade empreendedora é justamente entender que somos capazes de diversas coisas, e não adianta nada achar que a gente vai se encaixar num molde só e ficar nisso pra sempre.

    Excelente post!

  • Thais Albuquerque

    Marininha, sou uma moving upper … que satisfação conhecer seus textos e pensamentos, isso é sensacional e inspirador. No início achei que o HSA não seria para mim, pois sou apenas analista dentro de uma empresa, mas estou em busca de alta performance, quero realmente mostrar minha marca, quero assinar meu nome embaixo de cada obra de arte… sempre me senti invisível, fazendo meu trabalho correto, porém nunca me senti valorizada, fazendo a diferença, e tenho mudado este pensamento e mentalidade, e creio que o texto acima diz tudo… é preciso termos a mentalidade de empreendedor, buscar sempre o melhor, o nosso maior potencial todos os dias, é tão interessante que quando estamos em busca de conhecimentos, aprendizados, a nossa visão muda, e creio eu que tenho pensado melhor, pensado fora da caixa, e estou me redescobrindo, no mesmo local, porém deixando o anonimato e indo para o palco da vida, o caminho não é curto, é longo, mas vou seguir, pois sei que lá é o meu lugar.

  • Renata Luísa Follmann

    Já acompanho o Goffi a um tempão, mas conheci seu blog somente agora Marina. Que reflexão maravilhosa, me deu um estalo grandioso! Eu admiro muito esse lifestyle, mas sinto que verdadeiramente ainda tenho muito da mentalidade de empregado. Quero mudar mas não sei por onde começar, me ajuda?