Para dar o passo mais importante da sua vida, antes você precisa fazer isso

 

Sabe aquela pessoa, momento ou trabalho que está te puxando pra trás sem você nem entender direito o porquê?

Hoje eu vou te contar uma história que mexeu comigo e me fez refletir sobre tudo que eu podia abandonar na vida para ser mais, para me sentir livre e ser quem eu quero ser. Acredito que essa história pode te gerar essa mesma reflexão e espero que ela também te ajude a tomar uma ação.

Eu sempre gostei de ouvir contos, da sabedoria que existe por trás de histórias doces, fáceis de entender e de guardar.

Essas histórias que podem ser criadas, que são gostosas de ouvir e de passar adiante.

Esses dias o Gabriel me contou uma história, quando compartilhava comigo que está se libertando da jangada dele… assim eu conheci a história da jangada, que um amigo contou pra ele, que eu vou te contar agora e que você pode depois contar para quem quiser.

Mas hoje, aqui, você é o personagem principal…

Você está navegando em alto mar com a sua jangada. Uma bela vista do horizonte e o mar calmo.

Passada uma noite de tempestade com fortes emoções, em que a sua jangada o manteve ali, firme e forte, você fica feliz em avistar uma ilha com uma floresta toda exuberante.

Chega na margem e aquela sensação boa de estar em terra firme… decide entrar, mas em vez de deixar sua jangadinha ali, a coloca nas costas e carrega para dentro da ilha.

Primeiro porque ela tem sido sua fiel escudeira, não poderia abandoná-la assim. Imagina voltar e descobrir que alguém a roubou? De jeito nenhum, você vai levá-la com você. Inclusive, vai que em algum momento dentro da floresta você precisa dela…

E aí vocês entram… e no começo está tudo bem, você de noite a usa como cama e de dia como um lugar para estocar comida. Mas não demora muito e percebe que ela começa a ficar muito pesada, a gastar muito da sua força e energia, que num ambiente desafiador como esse precisam ser especialmente poupadas, de todo jeito.

Você percebe que para sobreviver naquele ambiente precisa ser livre e veloz. A qualquer momento pode ter que disparar e fugir de um animal…

Além disso, você já tentou de todo jeito acessar o outro lado da ilha, está há dias andando e tentando achar caminhos alternativos mas parece que só há mesmo um jeito: atravessar uma ponte super estreita que une os dois lados da ilha. Embaixo da ponte um vale enorme, assustador como um penhasco. Para carregar sua jangada a partir de agora só se você fosse o super homem. Não sendo o caso, chegou a hora de abandoná-la.

Não é fácil pra você. (Nunca é fácil deixar pra trás algo que teve importância, que fez parte da sua história, que te salvou em algum momento e curtiu com você tantos outros).

Você fica triste, volta atrás algumas vezes, mas sabe que para ir pro outro lado não tem como levá-la.

Então vem a ação… você deixa sua jangadinha, atravessa a ponte e descobre um outro mundo… descobre que toda a riqueza da ilha estava desse outro lado. Encontra pessoas interessantes e em pouquíssimo tempo percebe como o peso daquela jangada te atrasou. Agora você se sente livre de novo!

E a pergunta que eu te faço é, quantas jangadas será que você não está carregando na sua vida? Será que elas continuam fazendo sentido pra você hoje ou simplesmente você não consegue se desprender delas?

Sua jangada pode ser um desafio ou um momento nostálgico, pode ser o medo, um chefe ou um amigo de infância… Ela é qualquer coisa que te empaca, que em algum momento te puxa pra baixo. Pesa e faz você se sentir menos.

É inevitável, estamos o tempo todo nos prendendo a coisas que não são mais as que nos fazem felizes e nos fazem ser mais. Ainda que você encontre significado emocional nas coisas, nas pessoas ou nos relacionamentos, uma hora chega o momento de cortar os laços. Isso é, se você quer crescer, ser livre e conquistar seus objetivos.

E assim como a zona de conforto é uma das formas de nos mantermos presos a nossa jangada, a nostalgia também o é… traz conforto e segurança, e assim não desafia e estagna.

Hoje pode ser que você não viva a sua arte (ainda), porque é cômodo fazer algo que já vem fazendo e que muitas vezes dá resultado. Mas ainda que dê resultado… dá satisfação? Dá liberdade?

Quando se trata de pessoas, muitas vezes vamos carregando jangadas que nem nos valorizam mais. Nos prendemos de forma nostálgica a relacionamentos que deixaram de ser saudáveis. Criamos expectativas, fazemos a nossa parte, mas sofremos com a não reciprocidade.

Pode parecer básico ou clichê, mas a máxima que deveria guiar seus relacionamentos é: valorizar quem te valoriza. Quem te valoriza como pessoa e como profissional. Quem te enxerga com verdade, profundamente.

“Onde não puderes amar, não te demores” – Frida Kahlo

Não te demores com quem não está apto a te amar e te valorizar. Seja generoso, verdadeiro, e faça o mesmo pelas pessoas… não seja a jangada de ninguém.

E cuidado para também não incentivar alguém a se manter preso a sua jangada. Isso vai acontecer muito com você… quem vê de fora não entende o real significado das coisas, mas opina. Ou porque é uma jangada bonita, ou porque ela parece te trazer resultados… você precisa estar alerta para não se deixar prender.

Não ser a jangada de ninguém e abandonar as suas. 

A mensagem hoje é breve, mas profunda. E conto essa história e deixo essa mensagem como forma de reforçar a mim mesmo que ainda tenho jangadas a abandonar. Talvez seu caminho ainda não esteja livre, assim como o meu, mas pelo menos estou decidida a abandonar tudo que me empaca, que não me faz ser meu melhor. Aceita o desafio também?

Sempre que estiver sentindo que tem algo te travando, que tem alguma coisa te deixando triste, fraco, ou te puxando pra trás… lembre da jangada.

Será que isso continua fazendo sentido na sua vida?

Lembre-se que são desses momentos difíceis que surgem as grandes mudanças. Com certeza o passo mais importante da sua vida não vai dar tomando uma xícara de chá. Uma coisa é certa, pra atravessar a ponte você vai ter que abandonar muitas coisas. Desapegar e se demorar só com o que ainda faz sentido e vale a pena.

Não é fácil e às vezes até dói, mas o lado bom é que isso te leva pro novo mundo. Pra ser livre, podendo acelerar e correr na hora em que você bem entender…

E aí, pronto pra abandonar uma jangada?

Se se sentir à vontade, me conte aqui nos comentários qual a principal jangada que você vai abandonar em 2016 🙂

 

  • Post simples, direto e profundo.
    Parabéns por traduzir de forma tão bonita a nossa conversa.

    Ver sua evolução dia após dia é algo mágico… minha artista High Stakes!

    • Marina Teixeira

      <3 🙂

  • Bom dia Marina! Adorei seu post. Sua escrita ressoa forte e ao mesmo tempo tem uma delicadeza encantadora. Hoje particularmente fiquei tocada com o que vc escreveu. No final do ano sempre gosto de pensar no que aconteceu no ano anterior e no que vou focar no proximo ano. Minha jangada sera sonhos antigos. Vc ja pensou nisso? As vezes carregamos nossos sonhos antigos pela vida e nao nos damos contas que mudamos e que os sonhos podem mudar tambem. Carregamos um ideal de felicidade e de realizacoes que nem sempre batem com a pessoa que nos tornamos. Li que de tanto em tanto devemos rever nossos sonhos. Nesta semana me atentei que ja tenho novas vontades e diferentes caminhos desejados.
    Desculpe a falta de acentos. Estou usando o computador da minha irma.
    Um grande abraco e um lindo 2016 com novos sonhos!
    Fabi

    • Marina Teixeira

      Com certeza, Fabi, sonhos antigos são jangadas. Definitivamente.
      Isso entra na minha classificação de nostalgia, mas poderia ter sido mais específica!
      Um lindo 2016 pra você também 🙂

  • Jansen Osório

    Faz um tempinho que não passo por aqui. E so percebo que tenho perdido assuntos com potenciais enormes. Boas festas, Marininha! E mais uma vez, obrigado por compartilhar estas informações tão relevantes. Muito obrigado mesmo!

    • Marina Teixeira

      Percebi que sumiu mesmo, Jansen!
      Boas festas pra você também e vamos com tudo em 2016 🙂

  • Heloise Amorim

    Adorei o conto da jangada, vou compartilhar com meus amigos.
    Em 2016 quero me desprender de alguns vícios e manias que impedem de me doar 100% em minhas atividades e de me concentrar no que realmente importa. Tambem quero me desprender de coisas materiais, que as vezes em excesso não faz bem, essa é uma jangada que carrego desde sempre e venho sentindo que chegou a hora de desapegar disso, que afinal de contas não tem valor, afinal coisas materiais não são pra sempre, mas nosso espírito, o amor, nossa alma creio que são eternas.

    • Marina Teixeira

      Essa é uma boa reflexão para um novo ano, né?
      Te desejo os desprendimentos certos, Heloise!
      Feliz Ano Novo!

  • Heloise Amorim

    Feliz Ano Novo para vc e o Goffi! =)

  • Max David

    Só a abstinência, a falta, o vazio, o encontro com o que restou. É uma luta resignada, uma angústia sufocante. A razão argumenta e a emoção discorda. O telefone mudo, a respiração rasa. O passo curto, ausência, vigiando a porta. Quanto me custa largar minha jangada…

  • Palomah Cortez

    Olá, esse conto da jangada me lembrou a história da vaca… é bem parecida, só que a da vaca está relacionada a coisas/pessoas que saem da sua vida, que você fica desolado com a situação mas depois percebe que foi ótimo isso ter acontecido…. Ambos falam do desapegar-se, do deixar fluir e não se prender ao que não te liberta…Abraços