integridade, um valor de troca e os 3 passos para chegar lá

 

fala-se muito no mundo hoje em dia. falas soltas, muitas das quais são ferozes julgamentos.

a gente julga sem olhar pra dentro, sem olhar para o outro e sem querer ser exemplo.

por que será?

eu olho pra isso, sinto e penso: falta nas pessoas e em seus movimentos integridade. e quando falta esse valor não é porque elas, nós ou eu não somos genuinamente bons. falta porque falta conexão.

porque faltam fios conectando tudo e nos fazendo querer investir tempo e energia para desatar os nós. falta significado, essência.

falta arte, expressão e inconformismo.

quando falo em integridade falo de algo leve, natural. que nasce na arte, ganha vida na expressão e força no inconformismo.

uma sementinha que a gente planta e tem que regar todo dia. que começa com a coragem de silenciarmos o mundo e ouvirmos, primeiramente, o que sentimos.

ouvir os sentimentos antes de dar vez aos pensamentos. essa é pra mim primeira etapa da integridade.

a autenticidade só acontece de verdade quando a gente pede pro mundo externo esperar e dá espaço pros sentimentos virem e contarem sua história, nos ensinarem tantos sobre nós mesmos.

é comum, de começo, a gente deixar o medo do mundo entrar e tomar conta… e aí barrar, negar, reprimir. mas freud já dizia que reprimir é pior, às vezes porque a gente acaba manifestando isso de outra forma e sempre porque deixa de se enfrentar, de aprender, crescer e fortalecer com isso.

ser autêntico é receber sem filtro o que vem de si, o que vem de dentro. é ouvir e sentir tudo, e a partir disso fazer suas próprias criações sem deixar o que vem do mundo te engolir.

é naturalmente se comprometer todos os dias com a sua verdade, aquela que é sua e de mais ninguém.

o quanto isso é desafiador a vida não cansa de nos mostrar… por isso é preciso muita coragem, pra se conectar consigo mesmo e honrar isso a todo momento. do contrário, se torna conveniente deixar a vida levar…

é mais simples seguir o vento, ir no embalo, ser arrastado em vez de puxar a marcha. e é por isso que eu digo que se falta arte e inconformismo, o fio da integridade não aguenta, ele rompe.

às vezes o simples sai caro e essa é uma das simplicidades que acho que não valem nada a pena. uma hora a conta chega e aí ela vem cheia de juros.

aceita o desafio? uma vez que você sabe e respeita o que sente fica mais fácil falar o que pensa, entrar em contato com o mundo e se manter firme e forte.

isso significa não se omitir nunca. o mundo nem sempre pergunta nossa opinião e esperar que isso aconteça é acabar abrindo mão da sua própria verdade. é ver a casa pegar fogo e não correr pra ajudar.

é por isso que eu digo que a integridade exige de nós tempo e energia, pois de nada adianta ter uma super contribuição pro mundo se não aprendemos a comunicar isso. se a gente deixa a vida passar por cima daquilo que sentimos e acreditamos.

ser íntegro é um valor de troca, que começa no seu interior, mas dá as caras na relação com o outro. e aí é mais uma chuva de aprendizados…

aprender a se comunicar claramente, de forma precisa e direta, sem deixar de lado as sutilezas, a empatia e a gentileza. aprender a se fazer ser ouvido. aprender a mostrar algo pras pessoas quando você se comprometer.

sendo integridade um dos nossos valores aqui na high stakes academy, ninguém pode ficar calado quando não concordar com algo que estamos falando. ninguém pode não expressar seus sentimentos quando não concordar com alguma decisão.

uma coisa é reconhecer que pode existir um caminho melhor ou diferente, é aceitar comprar a briga da maioria, outra é medo, omissão e passividade. sendo mais dura, é covardia.

estamos todos conectados com o mesmo why, e nesse cenário deixar qualquer coisa passar é ferir nossos outros 4 valores.

mas ainda tem uma terceira etapa. é aí que se arremata a integridade e que se reconhece os fortes. não é só sentir, construir e falar. é também fazer, honrar. é ser walk the talk.

é já ser exemplo antes de pensar em apontar o dedo pro outro. é provar com ações o que você levanta na palavra. show up, como o gabriel costuma me dizer!

quando eu deixo a loucura ou os desafios do dia a dia me pegarem, quando deixo a onda me pegar e, consequentemente, começo a falar muito e fazer pouco, é isso que ele me fala: show up!

isso me pega forte, pois eu sempre recebo como um “seja forte. seja íntegra, marina”. e é, pois como eu disse no começo, falhar na integridade muitas vezes não é falta de verdade ou caráter, é fraqueza e desconexão.

é se perder em si mesmo, se conformar e deixar de fazer o possível e o impossível para colocar sua arte e verdade no mundo. é parar de ser exemplo e ser apenas ideias.
e eu lembro disso todo dia quando olho pro lado, porque pra mim não tem nada mais encorajador do que ver uma pessoa sendo. verdadeiramente sendo, independente dos medos e desafios, independente das pressões e incertezas, independente de quem concorda ou discorda.

assim como com o inconformismo, a integridade você também opta por tornar parte do seu estilo de vida ou não. se sim, nasce um compromisso, primeiramente com você, depois com os outros.

ouvir o que sente, falar o que pensa e fazer o que fala. coragem, transparência e execução.

é nessa integridade que eu acredito e é essa que eu me treino para cultivar e potencializar todos os dias.

você pode estar agora se perguntando “por quê?” por que eu deveria trabalhar a minha integridade?

fala-se muito no mundo hoje em dia. falas soltas, muitas das quais são ferozes julgamentos.

quanto mais a gente se desconecta, mas a gente julga. quanto mais a gente julga, menos a gente faz.

e assim vamos deixando de explorar a vida e de aprender com ela. nos aventuramos menos, conhecemos menos as pessoas e, sobretudo, conhecemos menos a nós mesmos.

meus motivos estão aqui dentro, na minha arte e no meu ser. e aí eu te convido a olhar cada vez mais pra dentro e encontrar os seus.

 

  • Manoell Netto

    Bom dia marina! Achei muito pertinente seu post sobre : integridade!

    Realmente ser íntegro (autêntico. original, perspicaz, pro-ativo etc…) talvez para não dizer o único caminho, que nos conduziria à nossa real essência, é nosso maior desafio!

    Lembrei-me de uma passagem bíblica onde Moisés faz uma pergunta a Deus, “qual seria seu nome” moisés pergunta à Deus: Ele responde: EU SOU O QUE SOU / o essencialismo esta implicado nessa frase dEle: Deus no caso deste Deus que responde a Moisés, Ele sabia quem Ele era… E acredito muito que moisés não sabia: faltava-lhe integridade sobre si-mesmo…

    Então, integridade se tomarmos esse texto como exemplo: não é só ser (agir), mas antes, existir como essência; acredito que é nessa busca frenética pela existência perdida, que nos encontramos para expressarmos aquilo que realmente somos, mas por outro lado acredito e muito que é na execução que à ela (existência) temos acesso.

    Isso faz parte do existencialismo moderno (Søren Kierkegaard, Heidegger) e da psicanálise inglesa (Klein, Winnicott) e do grande pai da metafísica contemporânea (Emmanuel Kant).

    Se fizermos uma fusão desse grandes pensadores iremos compreender melhor nossa ontologia que antecede nossa psicologia…

    Acredito muito que se nos essencializarmos não iremos precisar do show up, mas de apenas exisitir isso já vai fazer o mundo balançar, e é disso que estou atrás…

    Forte abraço moça e boa semana!

    Att.
    Netto

    • Rógerson Macedo de Oliveira

      Muito bom Manoell, vai balançar o mundo sim. O escrito pela Marina é praticamente impossível denominar ou adjetivar. O seu comentário segue na mesma leva.
      Obrigado.

      • Manoell Netto

        Obrigado Rógerson.

  • Ana Paula De Barros Dias

    Olá, Marina!

    Sempre que tu escreve aqui me transparece tanta leveza que fico em paz comigo mesma, apesar disso, é interessante que, seus textos sempre me deixam com uma inquietação… uma inquietação para me desafiar mais e me conectar com o mundo e comigo mesma.

    Obrigada pelas palavras!

  • Ana Cristina

    Bom dia Marina!!
    Seus textos são sempre muito esperados por mim!!
    Eles me trazem sempre algo novo, inquietante e que eu gosto muito.
    Obrigada, parabéns e muito sucesso prá você e toda equipe!!

  • Liria Assay

    Show de bola!! Esse texto foi muito inteligente e verdadeiro..a gente vê tantas discussões,como você disse tantas linhas soltas principalmente em comentários no face,sem nenhuma integridade,julgamentos….e isso faz a mim mesma me auto refletir,ser melhor nas minhas atitudes…e tenho te agradecer por sua contribuição …olhar para mim mesma e melhorar cada dia mais !!obrigada!! bjuss

  • Tiago Zoriki

    Mama,

    Seus post sempre aparecem no momentos certo na minha vida.

    Muito obrigada

  • Daniele Piske

    mama, como sempre era o que eu precisava ler neste momento, durante todos estes dias estava aqui seu e-mail mas não consegui tempo para ler, mas sabia que era algo muito importante neste momento da minha caminhada, estou fazendo o que não gosto em uma empresa que achei ser tudo trabalhar nela, e hoje vejo o quanto esta fora do meu propósito fazer o que estou fazendo e o quando não estou sendo integra comigo mesmo, em ainda estar aqui fazendo o que não tem proposito nenhum na minha caminhada, claro que aprendizado sempre temos, mesmo que sejam para nunca mais fazer isso tudo novamente!! muita gratidão mesmo por cada palavra descrita aqui! grande beijo pra vc e equipe.

  • aline

    Incrível a força que as suas palavras tem em muitos dos momentos da minha vida!
    Gratidão por ser esse ser leve e inspirador Marininha!
    Bjs

  • TALITA MENDES

    Wooow, Marina! Há tempos não passava por aqui, retornei às suas postagens e novamente: quanta gratidão às suas palavras! Palavras tais que tocam meu coração, minha existência. Faz refletir meus comportamentos diante dos dias corridos e daquilo que realmente importa a mim. “ser autêntico é receber sem filtro o que vem de si, o que vem de dentro. é ouvir e sentir tudo, e a partir disso fazer suas próprias criações sem deixar o que vem do mundo te engolir…”.

    Que o agir seja sempre maior que o calar, que o conformar!

    Obrigada pela reflexão!