inconformismo, um estilo de vida

 

i’m back ?

nos últimos meses passei por muitos processos de mudança e de construção. mudanças internas, claro, mas sobretudo mudanças na empresa… em metas, times e processos.

foi uma revolução. minha arte se bagunçou e precisei de um tempo. era tanto coisa nova borbulhando, tanto movimento, vai e volta, que me desliguei um pouco de mim para me doar. nesse processo senti a sensibilidade desconexa, aquela da qual preciso para sentar e escrever um post aqui toda semana.

mas que bagunça boa, quantos aprendizados, reinvenções, reformulações… desligar e ligar às vezes faz bem. às vezes é só mau contato, outras tem que trocar a lâmpada.

voltando ao meu ritual de escrita, antes de começar a escrever coloquei uma sequência de música clássica. e vou aproveitar para compartilhar um pouquinho do que faço para me inspirar.

sempre gostei do eco do palco, de dançar em teatros grandes, daqueles em que você passa mesmo o ensaio com frio na barriga do começo ao fim. e como amo o silêncio e meus momentos só, sempre gostei de ensaiar sozinha… de chegar mais cedo e de ficar no vestiário depois que todo mundo tinha ido embora, de ouvir repetidamente a música de uma coreografias que ia dançar enquanto visualizava minha performance perfeita.

não era só inspiração, eu buscava força também…

e hoje gosto de criar essa imagem e sentimento dentro de mim para buscar a inspiração… finjo estar sozinha no palco de um teatro enorme e vazio, ouvindo a música que vou dançar e apenas sentindo… sentindo o palco vibrar, meu coração bater, e os braços começando a expressar sentimentos. vida!

muitas vezes deixo a música rolar mesmo depois de já ter criado toda essa conexão e me sentir preparada para dar os primeiros passos.

como agora… ela ainda tá rolando, as primeiras frases registradas, e mesmo com poucos parágrafos já me emocionei. acho que é a sensibilidade voltando… tempo bom, respiro bom ?

e já que estou de volta, achei que faria todo sentido dividir aqui um pouco do que acontece na high stakes academy e como me relaciono com tudo isso.

semana passada trouxemos todo o time para uma imersão aqui em casa, que é também o pólo criativo da HSA —> a high stakes valley.

foram cinco dias de imersão, quatro deles de muito aprendizado, evolução, clareza e co-criação, e um dia off, para estarmos juntos, liberarmos os pensamentos para alimentar a criatividade, e para simplesmente apreciarmos a natureza e as conexões, afinal, nosso dia off foi no meu paraíso, meu cantinho de paz e beleza no mundo.

um dos temas dessa imersão foi a “re-co-criação” da nossa carta de valores. apagamos o que tínhamos e começamos do zero. folha em branco e começa o brainstorming…

assim nasceram os novos 5 valores da HSA. alguns são novos, outros se mantiveram. muda o contexto, mudam as pessoas, muda também aquilo que nos conecta e traduz, é natural.

e contei tudo isso até agora porque quero nos próximos posts, a partir de hoje, falar um pouquinho de cada um deles… do porquê, da essência, da minha visão…

não tem ordem, nem prioridade. não é uma sequência, apenas escolhi falar deles da forma que faz mais sentido pra mim. é como os vejo contando uma história.

era uma vez o inconformismo

fácil traduzir em uma frase só: “sempre contente mas nunca satisfeito”. fácil de guardar, fácil de falar. repetimos isso incansavelmente, um lema interno, com certeza. e não só da equipe, mas de toda pessoa que se conecta com o conceito high stakes.

não se trata de uma insatisfação pela vida, trata-se de essência e verdade. de buscar sempre o combustível certo e não aceitar ficar parado ou perdido no meio do caminho.

sempre dá para ir além, né, e essa é a essência do inconformismo. é aquela rebeldia boa, de quem não levanta poeira à toa, levanta por muita por muito acreditar, tanto no porquê quanto na mudança.

o inconformado olha lá na frente, encontra problemas que ninguém viu ainda e assim faz deles oportunidade. e é assim que ele se torna autor de tanta inovação.

sim, eu acredito que eles andam juntos sempre. o inconformado inova e a inovação tem sua semente plantada no inconformismo. e assim segue o jogo de palavras e da vida.

e por mais que essa frase seja suficiente para explicar o conceito, gosto também de pensar em outro conceito (para fazer jus ao tema, hehe), o do artista 🙂

o artista, dentro da sua sanidade (ou insanidade), é um eterno inconformado. ele não aceita reproduzir, simplesmente. pra respirar precisa do novo, do desafio, de sempre mais. se não estiver em constante movimento, ele transborda.

grita, transborda, extravasa, e só assim existe. do contrário, murcha.

a arte é uma constante experimentação, é nosso laboratório em tempo real, e acho que aí mora o grande ponto de conexão: o inconformado se permite experimentar a todo momento para ver, sentir e viver coisas novas.

experimentação que além de linda é saudável, que nos permite dançar na vida, ir e voltar a qualquer momento. é reinvenção. e enquanto muitos acham que é radicalismo, eu acho que é flexibilização. liberdade!

você pode ainda não ter identificado qual a sua arte hoje. aquilo que mais te alimenta, que te traz paz ao mesmo tempo que não te deixa parar. então esse é um bom jeito de começar a reflexão: o que te gera o sentimento de inconformidade? o que mais te deixa inquieto e te torna incansável?

(falei que os valores contam uma história, no próximo post essas duas perguntas vão fazer mais sentido)

a gente não nasce inconformado, a gente planta isso. é assim como o artista e sua arte, um encontro.

já ouvi muitas pessoas dizendo que os grandes nomes da história foram pessoas inconformadas. reconheço, mas prefiro quando isso é dito de outra forma, afinal, o mais importante não é o criador e sim a criatura.

quase só trocando a ordem, prefiro pensar e dizer que as maiores mudanças da história surgiram de pessoas inconformadas. e por respeito a minha arte, seja ela qual for, no momento que for (e quero em breve falar disso, porque a arte não é uma e nem é estática), eu quero liderar uma mudança.

e é por isso que meu lema de vida é tudo pela arte. nada é por acaso.

viver inconformado e nunca estar satisfeito não significa estar insatisfeito, por mais estranho que isso possa soar.

o inconformismo que vejo e sinto não é estado de espírito, é estilo de vida. é o jeito artista de ser, de existir e de mudar o mundo.

ufa, que alívio, isso pra mim é ser livre \o/

 

  • Marcelo Menezes Vianna

    Ótimo artigo Marina. Bom saber que existem mais pessoas como eu espalhadas pelo mundo. Muitas vezes por querer ir além, tentaram me convencer que sou uma pessoa negativa. Demorei para entender que o negativo é justamente aceitar o que não está bom, fechar os olhos, apenas para não ter que lutar.

  • Thaíse Amaral

    obrigada por compartilhar tamanha inspiração, marina!
    são insights que não tem preço <3

  • William Pereira Rodrigues

    Adoro suas reflexões

  • Henrique Reberte

    Perfeito!
    A própria natureza também nos ensina o inconformismo: nenhum equilíbrio na natureza é estático.

    Todo equilíbrio da natureza e do Universo é DINÂMICO.

    Feliz com o retorno de uma nova Marina ; )

  • Renata Luísa Follmann

    Sensacional Má! A arte não é uma e nem é estática? Louca para ler suas palavras a respeito disso, pode ser no próximo post? Por favor! ?? ? Abraço!

  • Débora Cristina

    muito bom, Marina!
    foi ótimo ler isso hoje, o primeiro dia do 6° semestre da faculdade de medicina, uma verdadeira arte que precisa do inconformismo.
    adoro ler teus textos/tua arte

  • Adriana Gigliotti

    É bem isso Marininha…estar satisfeita pra mim é como me dizer: ok! Fim da linha, ponto final. Se contente com isso.

    Inaceitável! Sempre haverá uma curva, um ponto e vírgula, uma reticências…

  • Flavia Pereira

    vi a liberdade que você sentiu nas ultimas palavras ”ufa, que alívio, isso pra mim é ser livre ”..

    Liberdade de sentir, falar e fazer aquilo que se ama uow

  • Ralph Lemos

    obrigado por nos inspirar fora e dentro da HSA! toop 😀

  • Marta Ayres

    MARAVILHAAAA!!!! água cristalina para minha alma…
    Saudades e como você disse que estava ausente por várias razões reumindo num mais ou menos:”enfim,não dei conta” A vida é processo…é dar conta e é não dar conta.

    Tudo que você falou tem sentido e não precisa de ninguém para validá-lo a não ser a boa experiência que cada um sente ao lê-la.Isso sim tem um valor enorme por que sensação se sente,não se finge…

    Acho que o seu retorno como o meu a esse mundo todo que nos cerca de Tudo pela Arte,mundo HSA (no meu caso)entrar hoje no meu gmail e achar seu post…tudo isso faz parte de um ciclo…deixa fluir…

    Também tive muitos desafios,uns meus e muitos dos processo (de vida ,mesmo) dos outros.Desafios que não escolhi mas que me pertencem pelos laços de convivência.Também não tenho dado muito conta de tudo isso.E é expressado em sensação,essa é a que mais valorizo pelo grau de genuinidade contido.

    Espero revê-los no próximo MUX.

    Beios …e muito sucesso.Lê-la é muito paradoxal para mim pois sou “decana”(6) ( e você nem bauzáquia ainda o é,pouco mais que uma menina) e é tão profunda na sua expressão.Inspira tanta coisa boa que de muita gente madura jamais li…

  • Tayná Sant’Anna

    “o inconformismo que vejo e sinto não é estado de espírito, é estilo de vida” como você disse, não somos rebeldes e não vivemos insatisfeitos … mas apaixonados por mudanças que geram vida!

  • Lívia Vieira

    Estou viciada no seu Blog! Maravilhoso! Parabéns.