o que eu aprendi sobre idas e vindas, sobre os sopros da vida

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Sempre fui aquela pessoa de poucos, mas bons amigos. Muito leal, como boa capricorniana que sou.

Inevitavelmente, assim conheci o apego. Me ensinei desde sempre a depositar muita expectativa no outro, esperar atitudes e reações que seriam as minhas.

Quando penso na Marina de ontem me vem a memória apenas relacionamentos intensos… amizades que eu jurava serem para a vida toda e inabaláveis, e um amor que começou aos 15 anos..

Eu escolhia a dedo e aí me doava por inteiro, depositava todas minhas fichas nos “poucos e bons”. Tinha orgulho disso. Mas não tem jeito, quando a gente coloca expectativa, quando passamos para o outro qualquer parcela responsabilidade do que é nosso, a frustração vem.

Passei por algumas. Doeu, cuidei e sarou. Nada que tenha tirado de letra, mas tudo muito trabalhado.

Logo que entrei na faculdade percebi que a partir dali as coisas seriam diferentes… eu tava entrando no mundo e teria que dançar conforme seu ritmo.

Embora ainda não fosse natural, eu sentia que esse era o primeiro passo para muita coisa que passaria de relance na minha vida. Ainda sem conseguir eu tentava acreditar que essas experiências poderiam ser lindas, intensas e verdadeiras.

Tirar valor do que vinha leve e solto, abraçar o incerto e me doar sem qualquer garantia… esses eram meus desafios.

Em pouco tempo me vi gostando disso: de menos apego, de mais leveza e, ainda assim, de conseguir sentir a mesma intensidade. Mais um ponto para a liberdade, essa sim minha inseparável companheira.

Eu começava a conseguir lidar com o que estava claro na minha cabeça, a conta matemática que na teoria é muito fácil: menos expectativa + menos responsabilidade transferida para o outro = mais leveza para mim.

Saí da faculdade, comecei a trabalhar e senti que eu tinha entrado numa nova escola, estava agora de fato aprendendo sobre independência e desapego. Ainda assim meu lado romântico falava alto…

O que eu lembrava de criança é que deixava de falar com uma pessoa quando estávamos brigados, e isso dificultou aceitar que o comum é justamente isso, as pessoas irem e virem. Comum e frequente.

Difícil aceitar que minha vida seria cheia de sopros de afeto, como a brisa que bate, marca presença e segue viagem, não fica nem para um cafezinho. Difícil entender que viveria muitas tempestades, mas que elas não levariam nada, apenas preparariam o terreno para novos frutos.

Acho que um amor de mais de 11 anos, inocentemente, me ajudou a enraizar essas crenças, aquilo que naturalmente eu sentia quando pequena (ou que era apenas a minha zona de conforto): a menina de poucos, mas bons amigos.

Começar a empreender, ter uma empresa e ser a pessoa responsável pelos meus colaboradores me forçou a deixar a zona de conforto (e isso em todos os sentidos) e concretizar o que era ainda apenas teoria: a beleza e possível intensidade de todas relações soltas que vivemos.

O poder e valor de quem passa e deixa frutos, ainda que passe num piscar de olhos.

Nesses últimos dias percebi minha mudança. A prova foi alguém que poderia vir e ficar por muito tempo, mas passou e voou em segundos. E com muita sinceridade, sem dor no coração, apenas desejei bons voos, sem sofrer com isso.

Um ser cheio de amor e doçura que entrou na minha vida. Uma pessoa que em dois dias eu já abraçava cheia de afeto e cuidado. Alguém com brilho nos olhos, e ao mesmo tempo com sangue nos olhos para fazer acontecer.

Quando ela anunciou sua partida eu sorri, concluí o quanto tinha evoluído, o quanto me vejo e sinto agora mais preparada…

Preparada para aproveitar tudo e todos que entram no meu caminho, aproveitar o que a vida me traz, seja como dor ou prazer, seja para sempre ou por instantes.

E ainda que eu continue intensa, verdadeira e apaixonada num mesmo relacionamento de mais de 11 anos, hoje me sinto pronta para o desapego… desapego de não precisar do outro, nem da sua presença e nem do que ele me confirma sobre mim mesma e minha importância.

Desapego da ideia de que ou estamos juntos ou separados. Hoje sinto que podemos estar indo e vindo, no mesmo ritmo de outras pessoas, sem precisar estar juntos, sem estar sempre no mesmo caminho ou na mesma direção.

Sinto profundamente quanto a lealdade está no instante, e não no tempo que passamos juntos. Sinto que assim como amo a liberdade, outros também a amam, e que meu único papel é incentivá-la, alimentá-la.

Sinto que aprendi a receber a generosidade de quem compartilha comigo seu olhar, sentimentos e experiências, sem pensar no amanhã, em quanto tempo vai durar..

E no fim percebo que o que estou aprendendo é das coisas mais óbvias da vida: viver no presente, sem me prender ao passado e futuro.

Não pensar no que a vida leva, e sim em tudo que podemos fazê-la deixar.

E às vezes, mesmo os sopros e instantes deixam muito, se não da outra pessoa, pelo menos de nós mesmos. Deixam reflexão e percepção, luz e aprendizado.

Isso tudo eu recebi nos últimos dias, e mais do que nunca senti que estou pronta para os sopros que a virão.

Não tenho mais medo do que é passageiro, do que passa voando. Pelo contrário, hoje estou interessada e curiosa por tudo que posso aprender com esses instantes, e do quanto de mim posso deixar em cada um deles.

Hoje queria apenas compartilhar com você esses sentimentos, o desapego, a liberdade e a leveza. E vou adorar saber o que você pensa sobre isso, se deseja os instantes ou se até hoje também tinha medo deles.

 

  • Naira Saulle

    Obrigada Marina.
    Agradeço mesmo ao universo pelo seu texto ter vindo hoje,porque ele expressa a conclusão de uma lição muito linda que se finalizou ontem na minha vida.
    Engraçado que também sou capricorniana e que tenho uma tatto que representa desapego,leveza e liberdade ,porque sempre soube que precisava trabalhar isso em mim e sempre amei esse desafio.
    Sinto a força que existe quando realmente aprendemos algo,porque nosso caminho se enche de luz e sincronias que sustentam os aprendizados.
    Nunca estamos sozinhos quando somos responsáveis pela nossa vida, quando acolhemos o que vem e quando escolhemos o amor por nós mesmos!
    Entendo cada frase dessa experiência sua.
    Obrigada por expressar, é realmente muito grandiosa essa lição,libertadora.
    Vivamos nosso presente ,abertos,vulneráveis,observadores de nós mesmos e cheios de amor.
    Todas as chaves estão no presente.
    Abraço grande pra você e muitos sopros de vida e liberdade.

  • Bruna Tenório Fontan

    Oiii Marina, como me identifiquei com seu post. Também sou capricorniana e já sofri muito com essas questões. Sai da minha cidade e da minha família, dos meus amigos e da minha vida simples há quase 10 anos, para viver uma vida nova, viver o amor e ir em busca de uma nova vida. Sinto muito falta de tudo e de todos, mas jamais me arrependi das minhas escolhas. Depois que saí da minha cidade, já mudei algumas outras vezes de cidade, deixando sempre uma vida e amigos pra enfrentar o novo. Isso amadurece, fortalece, mas, deixa sempre um aperto no coração, uma saudade do que vivi, mas acho q isso é bom, rsss me faz ver que fui feliz, ou que busquei ser feliz. bjos e vamos seguindo com idas e vindas…

  • Denny Fabian

    Artigo incrível, Marininha , Parabéns pelo lindo texto, as vezes me pego nessa vibe, é incrível que quando agente olha pro passado dá um frio na barriga, pela coisas que vivenciamos ou se apegamos, pessoas , objetos … Hoje tenho uma companheira de 5 anos, parceira, anda no meus passos , mais anda não está pronta, como tenho referência do Goffi , hoje posso dizer que minha vida acontece de acordo com meus atos, essa concepção é incrível , nem todos tem isso em mente. È claro que não devemos desistir das pessoas , mais não posso ajudar quem não quer ser ajudado, mostrar o caminho é a parte que devemos mostrar , mais a trajetória a pessoa tem que ir com sua própria leveza . Mais enfim que sejamos leves em nossa life presente.Gratidão por compartilhar o post. Abraço a você e o Goffi , sucesso em todas as áreas da sua vida. Bye #neverfunckingstop

  • Não conseguimos controlar tudo, mesmo que quiséssemos. A sabedoria, penso eu, é aceitar que o número de coisas fora do nosso controle será sempre maior do que aquilo que está totalmente sobre o nosso controle. E que quando aumentamos a nossa área de controle, mais coisas ainda ficam fora dela. Pense num agricultor: a quantidade de coisas que estão fora do seu controle é enorme, mas nem por isso ele deixa de plantar. Ele procura diminuir o número de coisas que podem interferir (tipo der semente, época de plantio, quantidade de rega, de adubo, etc), mas uma tempestade pode colocar tudo a perder. Faz parte do risco. Ele não deixa de plantar por isto. Algumas sementes são perdidas, mas as melhores frutificam. Parabéns pelo texto. Um abraço.

  • TALITA MENDES

    Cresço com cada um dos seus posts, pois me parecem tão sinceros lidos do lado de cá da tela. São tão verdadeiros que transpassam os conceitos, dizem mais que mil e uma palavras, delineiam aquilo que sinto e muitas vezes descrevem minhas relações com os outros, com o mundo e principalmente, comigo mesma.

    Sobre as expectativas que crio sobre os demais a respeito dos meus próprios desejos não é a primeira vez que vejo falar, mas hoje como na primeira vez faz muito sentido, mas é ainda mais palpável porque tento aplicar desde então de forma mais eficaz e consciente essa “não criação de expectativa” sobre os demais, sobre as situações. Esse fantasiar contando com as reações e atitudes das outras pessoas:

    “menos expectativa + menos responsabilidade transferida para o outro = mais leveza para mim”

    Disse tudo!

    Bora pra (action) liberdade de ressentimentos do universo paralelo de expectativas que eu mesma crio. Bora pra leveza dos relacionamentos!

    #GRATIDÃO

  • Barbara Hannelore

    desapego, leveza e liberdade. tive a oportunidade de passar 12 dias com meu filho e esse foi o maior aprendizado pra minha vida. Foi vivenciando seu luto após 3 anos que assumi minha missão de vida, e esse ano no blog vemservoce.com.br estou fechando esse ciclo e me abrindo ao novo. entendi que que o oposto da morte não é a vida como tantos acham. entendi que o oposto da morte é o nascimento, e que a vida permanece florescendo em suas inúmeras formas.

    muitas vezes não nos acostumamos a essas formas porque são novas pra nós. quando se vai o que estamos acostumados a ver, geramos as perdas internas que são simplesmente nossas frustrações pelas expectativas que criamos. eu particularmente pela continuidade da vida que esperava ver pelos meus filhos gêmeos brincando juntos, e por todas as expectativas que criei esperando pela bagunça gostosa que seria e pelos desafios que viriam.

    entendi e vislumbrei o processo do qual hoje posso ajudar outras pessoas a verem a vida com mais leveza, com mais naturalidade e com mais entrega sempre, mesmo sem saber o tempo que vai durar. sempre fui intensa nas minhas relações e não abro mão disso, a vida precisa ter intensidade… obrigada por compartilhar

  • Vanessa Bueno

    É preciso nos controlar constantemente para não cairmos no erro de criar expectativas. Infelizmente já tive péssimas experiências neste sentido e preciso policiar-me sempre. Abraços Marina!

  • Mariana Leite

    Que texto maravilhoso, é isso mesmo, somos condicionados desde pequenosua a viver dessa forma e depois precisamos mudar completamente para não carregar esses pesos.

  • Gabriel De Marco

    Lendo esse texto, viajei pra minha época de escola, sempre amei e me entreguei intensamente sem pensar nas consequências, hoje sou mais frio, mais receoso, mais “analista” ou poderia dizer critico mesmo. Não sei se isso é bom ou ruim, sei que me sinto ótimo de verdade, consigo finalmente ser feliz comigo mesmo, sem depender de outra pessoa! Tanto é que estou solteiro a uns 7 anos rsrs. Mas como disse não sei se isso é bom ou ruim. Mas o aprendizado é de ouro! Ótimo texto!

  • Giovanna

    mama querida… um sentimento quente de paz me inundou ao ler isso. amor por você… desse tipo quente e leve que passa no peito quando lembramos de alguém querido que passou por nosso caminho. que essa autoconsciência te acompanhe e amadureça sempre. e que nossos caminhos se cruzem alguma vez mais.

  • Karol Almeida

    Nossaa… Amei o texto <3 Você acabou de escrever o que eu tenho vivido e buscado ultimamente. :)

  • Fabiane Mariano

    Maravilhoso o texto Marina, gratidão por compartilhar as suas experiencias… Eu estou trabalhando isso em mim, à algum tempo… a arte de poder respeitar o outro e amar com desapego, não colocar expectativas no outro… vivenciando o agora… Me sinto mais leve… A cada situação e a cada pessoa que surge em meu caminho… procuro exercitar… Não é tarefa fácil…Mas estou procurando viver um dia de cada vez… Muito obrigada!

  • Samicha

    “Tem gente que chega prá ficar
    Tem gente que vai
    Prá nunca mais…

    Tem gente que vem e quer voltar
    Tem gente que vai, quer ficar
    Tem gente que veio só olhar
    Tem gente a sorrir e a chorar
    E assim chegar e partir…

    São só dois lados
    Da mesma viagem
    O trem que chega
    É o mesmo trem
    Da partida…”

    Traduz perfeitamente, não acha?

    • Matheus Conrado

      traduz perfeitamente…obrigado pelo complemento

  • Joyce Mingorance Cavallini

    Grata pelo lindo texto cheio de maturidade. Me acrescentou e me trouxe uma paz de que isso acontece na vida de todos, e o quanto é bom cada experiência dos “sopros da vida”.

  • Alan Santana Carvalho

    Compreender o real sentido da vida nos leva a sair de nós mesmos e seguir ao encontro do outro. A exigirmos menos de tudo o que nos cerca e a darmos mais do que possuímos. A valorizarmos o que antes não percebíamos e a deixar de lado o que nada nos acrescenta. A nos preocuparmos mais com o que fazemos e menos com o que os outros fazem. E, a percebermos que o que fazemos na vida e da vida, é responsabilidade nossa. Aquilo que o outro faz é problema dele. Enfim, a entendermos, mais e melhor, as palavras da grande poetisa, Cora Coralina, quando registra: Não sei… Se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove.E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura… enquanto durar. Desejo calmo, porém ansiosamente cada instante. Obrigado Marina

  • Maicon Carraro

    mamá, tu é sensacional =)

  • Dayana Costa

    Leio os seus posts e sempre penso: “Poderia ter sido escrito por mim”..
    Também sou capricorniana, do tipo totalmente descrita pelo signo, rs
    Tentando com muito custo ser mais leve, não colocar também responsabilidade em mim e nos outros, mas esse sem duvida é um dos meus desafios, já melhorei muito, hoje reconheço quando deposito expectativa demais no outro, e consigo me tornar responsável pela minha felicidade, mas ainda tenho muito para caminhar nesse sentido.

    Obrigada por compartilhar mais um post maravilhoso.

  • Tiago Zoriki

    Marianinha,

    Sensacional seu texto parece que você escreveu pra mim, eu como um Capricórniano como você, também estou aprendendo a me desapegar já melhorei muito mas ainda estou nessa busca.

    Muito obrigada por compartilhar seus pensamentos

  • Sebastian Baltazar

    Adorei!

  • Adriana Pestana Greenhalgh

    Como é bom er coisas assim…Marina considero vc uma amiga mesmo sem te conhecer pessoalmente, mas que sempre vai estar ali para ajudar…estes textos me inspiram e me mostram o quanto cresci em termos de liberdade tbm e o quanto sou mais feliz agora por entender isso é não colocar todas as minhas fichas nos outros…pode soar um pouco egoista sim mas é assim que sou feliz é assim como vc busco o presente o tempo todo mesmo que por alguns momentos me esqueça disso…aí leio seus textos e me relembro….grata por estar aí!

  • Renan Parreira

    Olá Marina, excelente palavras é a primeira vez que passo por aqui, parabéns, tudo muito bem feito. Eu fiz o Moving Up 2.0 e amadureci muito em diversos assuntos, que hoje acabo sofrendo menos. Sobre esse lance do desapego é uma questão que eu ainda preciso melhorar, já melhorei, mas ainda não está do jeito que eu quero. Li alguns livros indicados pelo curso como Happy for no Reason e as 5 linguagens do amor, esses livros já me ajudaram, mas sempre é bem vindo boas indicações, você por acaso tem algum livro bom para indicar que fala sobre esse assunto do desapego, de a gente focar na gente para conseguir focar no outro ?

    muito obrigado!

  • Mariana Pigassi

    Lindas palavras! Sou capricorniana (até tempos atrás, achava que isso não tinha nada a ver) e, desde sempre, sofria (ainda sofro) com essa intensidade que me envolve. Me apego, me dou e, quero sempre um retorno. Aprendo todos os dias que, não é assim que tem que ser. Que, se eu não entender que a vida tem seu fluxo, que as pessoas e coisas vêm e vão, quem sofrerá será somente EU.
    É um trabalho árduo e diário, vez ou outra me pego “remoendo” a ida de alguém mas, com a mente treinada (em treinamento, na verdade), passo a assistir à esse sentimento como expectadora (expectadora da minha própria mente) e, imediatamente volto para “os trilhos” e sigo meu caminho. Obrigada pelo compartilhamento. Gratidão!