como lidar com as críticas e fazer todo feedback ser positivo

 

há dois anos, quando eu virei a página da faculdade e dei outro rumo pra minha vida, mais coisas mudaram no mesmo embalo. entre elas meu relacionamento de anos, que passava então a ser dois em um, meu marido e meu sócio, agora tudo junto e misturado.

um dos maiores desafios dessa reconfiguração? aprender a ouvir e a lidar com críticas e feedbacks.

pra ninguém é fácil lidar com isso. e não é porque essas são mais umas daquelas atitudes que nos fazem olhar pra dentro. sair do automático e encarar nosso ser.

parar, analisar e ter que encarar.

no meu caso foi mais desafiador pois, por muitas vezes deixávamos os papéis se confundirem. o sócio falava, a mulher escutava, e vice-versa.

teve confusão, mas daí saiu também o que eu considero um dos maiores aprendizados que já tive, que mais impactam hoje como eu lido com as pessoas e como eu cresço no dia a dia.

ainda que nem tudo esteja consolidado, agora que sei o quanto saber ouvir e usar um feedback pode potencializar a vida, resolvi compartilhar um pouco do que venho aprendendo sobre isso nesses últimos anos.

primeiramente, eu só me abri para esse aprendizado quando entendi que todo feedback é uma faca de dois gumes. ao menos tempo que ele pode abalar a sua confiança, pode também te mostrar pontos cegos que vão realmente fazer a diferença.

e é desses pontos cegos que vem a melhor definição.

feedback é, antes de qualquer coisa, informação. uma informação que não apenas te ajuda a se manter em movimento, persistir em algo, mas que faz isso te dando pistas, dicas das quais você não tem conhecimento. é aquele pedaço da estrada que você não conhece ou não está vendo.

é informação, não palpite ou conselho. é a visão fundamentada do outro, uma perspectiva externa e valiosa a qual você não tem acesso se não pelo outro.

como então aproveitar o que essa faca de dois gumes pode nos revelar e ao mesmo tempo evitar que ela provoque ferimentos?

do que venho experimentando e aprendendo em relação a isso, eu diria que 4 atitudes fazem parte do processo de receber um feedback. provavelmente nada inovadoras, mas sub-utilizadas e fundamentais:

 

1 – não levar pro pessoal

é óbvio, ok, mas ainda assim é dos maiores erros que as pessoas cometem e que mais as barra de aprender.

o feedback, seja ele positivo ou negativo, reconhecimento ou crítica, é informação. e, portanto, quando coerente vale ouro.

não tem porque criar caso ou mágoas, basta aprender a separar o objeto da crítica do sujeito que está sendo criticado.

lembra que no post anterior eu expliquei que não conseguir ser um amigo verdadeiro com alguém não faz de você uma pessoa ruim? então, aqui a mesma coisa. o feedback verdadeiro nunca tem a intenção de atacar o sujeito, apenas de ajustar seu movimento.

se você assume esse mindset fica tão mais leve, prazeroso e eficiente…

desapega. simplesmente guarde o ouro com você, seja para usá-lo agora ou depois.

 

2 – não ficar na defensiva

esse é com certeza um dos segredos-chave do sucesso (e com certeza ainda é dos meus maiores desafios).

e em qualquer situação, para sair da posição de defesa é preciso ser humilde, se abrir para a possibilidade de você não ser perfeito, nem o dono da verdade e ter muitos pontos de melhora.

já pensou nessa possibilidade? ?

quando você sai da defensiva você está se permitindo olhar com os olhos do outro. e descobrir que uma mesma imagem é descrita de forma totalmente diferente por pessoas diferentes é libertador.

o olhar do observador pode revelar detalhes que você nunca destacaria, e só a humildade nos deixa reconhecer e aproveitar isso. é só saindo da defensiva que nos abrimos para novas experiências, aprendizados e possibilidades.

e sabe o que? isso faz de você uma pessoa tão mais forte e valiosa. não mais fraca e vulnerável como talvez esteja pensando.

pode confiar e vai tranquilo… abaixe o escudo, sinta o vento, aprecie a paisagem e permita-se enxergar e aprender com o que só o outro pode ver.

 

3 – ser seletivo

primeiro em relação à origem do feedback, segundo em relação ao conteúdo dele.

sim, tem isso também. nem sempre a visão do outro é 100% válida. às vezes ela vem quebrada, sem muito base informativa, às vezes emocionada, outras vem no impulso…

na verdade na maioria das vezes vai ser assim… tem o que serve e tem o que é descartável. o desafio é desenvolver essa habilidade de aprender a sentir o que você deve deixar entrar e o que fica do lado de fora. filtrar.

e pra ser bem sincera não sei se existe um outro jeito pra isso que não a experiência que vem com o tempo e a clareza que tem sobre os seus caminhos e objetivos.

 

4 – não se deixar barrar

o que o outro fala é problema dele, mas a forma como você reage a isso é problema seu.

as pessoas podem dizer o que elas quiserem, e está tudo bem, porque você não precisa absorver tudo.

mas você tem que estar sensível para quando soltarem aquela bomba na sua cabeça que seja 100% verdadeira e aproveitável. não deixa te barrar. não desacelera e nem dê meia volta.

às vezes a bomba é grande demais ou ela pega bem no seu calo e fica difícil, mas vai ser bem mais fácil se você estiver com o mindset de que feedback é informação, de que tudo que você deixa passar, seja bom ou ruim num primeiro momento, serve para ajustar seu movimento. é uma oportunidade de crescimento.

feedback positivo vem em forma de reconhecimento e é sempre gostoso receber. o reconhecimento encoraja e empodera. mas vou te contar que agora comecei a entender aquelas pessoas que dizem que adoram ser criticadas.

a crítica traz muito mais informação e por isso é muito mais valiosa. ela te dá muito mais opções.

pode ser tão nobre… alguém te dar informações que se traduzem numa oportunidade de crescimento e evolução. mas também pode ser nocivo. um jeito justo e fácil de descobrir isso? considerar a fonte na hora de ser seletivo.

sempre que alguém vier te falar algo a primeira coisa que você deve fazer é analisar a autoridade (autoridade = conhecimento + resultados) dela em relação a esse assunto. quanto ela estuda e sabe sobre isso? qual a experiência? quanto ela testou?

eu costumo pensar assim (me policio cada vez mais pra isso) e deixo a sugestão para fazer o mesmo:

“eu pararia tudo o que estou fazendo para ouvir essa pessoa falar sobre isso por horas a fio? eu admiro a posição dela em relação a isso?”.

se uma pessoa que está acima do peso, ou que vive doente (tá sempre com uma tosse, resfriado, dor de cabeça…) ou que toma refrigerante e acha que se encher de frutas o dia todo é ser saudável, vem me falar sobre saúde e alimentação, eu não escuto mesmo!

assim como não escutaria alguém que vem me falar sobre relacionamento mas que tá sempre indo e vindo nos seus, que nunca morou junto, que vive em pé de guerra com seu companheiro ou mesmo que simplesmente o olho não brilha mais quando fala dele (seja ele 2 em 1 ou não).

acho que depois de 10 anos de namoro/ noivado/ vida de casada uma pessoa nessas condições não tem autoridade para falar comigo sobre relacionamento. pode ter sobre muitos outros assuntos, mas não sobre este.

e isso vale pra tudo, é esse regra que tenho pra mim: feedback que entra é aquele que vem de quem tem sucesso na área sobre a qual decide opinar. eu escuto quem já está mais avançado do que eu em alguma arte.

as pessoas adoram dar palpites porque isso faz elas se sentirem úteis, importantes (e não me excluo disso não). mas palpite não é feedback construtivo. então temos que estar sempre atentos e filtrando o que passa e o que fica pra fora.

por experiência própria eu digo que seguir essa lógica da autoridade é um belo jeito de tornar o feedback (a crítica) seu amigo. seu melhor amigo.

um bom sinal de que já estão se tornando bons amigos é que quanto mais experiente nisso, mas ativo você passa a ser nessas situações.

absorver e registrar um feedback já é muito bom, mas quando você vai pra cima dele é bem melhor: “o que eu fiz de errado”, “como acha que posso melhorar?”. quando você não só aceita, mas realmente passa a abraçar as oportunidades de crescer, evoluir e se aperfeiçoar.

e digo experiência própria porque aqui em casa é assim, desde sempre feedback pra todo lado o tempo todo. normalmente mais críticas (construtivas, claro) do que elogios.

no começo foi difícil. era complicado assimilar algumas coisas, especialmente por conta do relacionamento 2 em 1. passei muito tempo negando, resistindo e, inevitavelmente, me chateando em alguns momentos. mas é impressionante como a vida dá um salto quando você decide dar a mão aos feedbacks que vem de fontes seguras.

e quanto mais os saltos acontecem, mais nos sentimos seguros para não tornar isso pessoal, para sair da defensiva e abraçar o que vem para nos potencializar.

finalmente estou aprendendo a lidar, me preparando para tornar a crítica não só valiosa, mas também encorajadora (o que normalmente viria pelo reconhecimento). me fortalece e me liberta saber que assim estarei preparada sempre que tiver que enfrentar o mundo.

o feedback é o café da manhã dos vencedores.
ken blanchard

e aí você pode estar se perguntando “mas marina, você assimila tudo?”. hoje sim. “mas então você tem um parceiro que tem autoridade sobre você em relação a tudo?”. de jeito nenhum.

a conta é outra. acontece que ele tem como umas de suas melhores qualidades a clareza e a sensatez. então se ele não tem autoridade também não dá palpite. fica na dele e “segue o jogo”. por isso hoje eu aprendi a sempre ouvir, valorizar e me abrir para o que chega dele para mim, como crítica ou reconhecimento.

e agora estou tentando pegar isso pra mim também, ser menos palpiteira, até não ser mais.

outro desafio, pois sempre tive a personalidade muito forte, desde pequena com opiniões muito definidas. ficar em cima do muro nunca foi comigo.

mas quando a gente cresce o cenário muda. o que era bonitinho (“é uma criança de opinião”) passa a ser uma responsabilidade, pois a todo momento qualquer pessoa pode julgar seus feedbacks (ou palpites) como válidos e construtivos.

portanto a cada dia eu tento ter mais cuidado com o que digo, com como me expresso, para não ser nociva para ninguém. imagina se todos conseguíssemos fazer mais isso?

e por mais que você ou alguém possa estar pensando que aí já é forçar a barra, eu gosto viver com esse mindset, pensando assim… que no fundo o termo “feedback negativo” é um grande erro. não existe isso de negativo.

não importa se o que chega pra você é crítica e não reconhecimento, nada que te gere reflexões, que te faça buscar melhorias e crescimento pode ser referido (e muito menos considerado) como negativo.

desapega e abraça tudo que vem pra te fazer mais.

o feedback que vem pra apontar um comportamento negativo não podia ser mais da turma do bem.

bom, pelo menos o bill gates tá comigo. e você?

todos nós precisamos de pessoas que nos deem feedbacks. é assim que evoluimos.
bill gates

vai lá e aproveita o dia para dar um feedback para alguém. crítica ou reconhecimento, não importa, só importa que seja construtivo.

se quiser deixar aqui para mim estou de braços abertos. se não, já fico feliz em saber o que achou dessa história toda 🙂

 

  • Bianca Holanda

    Que post show. Útil demais. Dicas valiosas aí, Mamá! Parabéns pelo tudo pela arte, que nunca desaponta os artistas.
    P.S.: Pedi pro Filipe te avisar sobre a única critica (que foi mais uma observação) que fiz ☺️

    • Marina Teixeira

      Que bom que foi útil e, mais ainda, saber que nunca desaponta 🙂
      Obrigada pela obs 😉

  • Show de bola Marina, depois que assimilei essa habilidade de ouvir pra entender e não pra responder, foi aí que consegui absorver muito mais sobre como eu me expresso nessa tridimensionalidade e como até mesmo eu sou percebido dentro dela. O choque é sempre grande e tem me impactado demais, e me deixado cada vez mais curioso quanto a eu mesmo… como você mesmo disse, essa informação que temos de nós mesmos, visto de lunetas diferentes, tem sido uma grande chave pra abrir as portas sobre como me conheço e tem me ajudado a reformular minhas posições, visões e até mesmo ações. Percebi que auto conhecimento, é se desenhar e se perceber com o próprio background, mas acima de tudo, refinar com os olhos dos outros pra constatar se nosso próprio desenho está sendo bem percebido pelos espectadores ou se estamos criando um auto desenho que ainda não está muito bem compreendido e pelos que nos assistem.

    Obrigado por mais uma pérola de domingo…

    • Marina Teixeira

      Obrigada, Maurício!
      Eu também sinto isso e adoro, “cada vez mais curiosa quanto a mim mesmo”.
      É lindo saber ouvir né, e quando fazemos isso de peito aberto dá tanto resultado que dá gosto 🙂

  • Luiz Fernando Heiras

    Quando li o título desse post, fiquei muito feliz em saber o assunto tratado, pois sábado estava conversando sobre isso com minha esposa: como lidar com feedback?

    Vivemos numa época onde todos tem opiniões sobre tudo, mas onde poucos tem autoridade pra falar sobre o assunto. Vale ressaltar o conceito de autoridade (conhecimento + resultados).

    Sobre receber um feedback, confesso que ainda sou bem criterioso, no sentido que se a pessoa não mostra resultados naquela área que está argumentando, como posso confiar no que ela está falando?

    Dou mais atenção, quando o feedback vem em forma de insight, algo pequeno, nada muito argumentativo. Como exemplo vou usar uma loja de roupas. Uma pessoa precisa comprar uma camiseta e vai até a loja, mas chegando lá ela é mal atendida e o consumidor ao sair da loja deixa seu feedback, falando que foi muito mal atendida e que esse é um ponto a ser melhorado na loja. Se a gente for analisar que o consumidor não trabalha no ramo de vendas e não faz parte da sua arte a forma de atender pessoas, podemos desconsiderar esse feedback. Mas devemos lembrar que uma loja de roupas tem que conquistar seu cliente para que ela consuma seu produto, então são vários pontos que devem estar alinhados para que a experiência daquele consumidor ao adquirir seu produto, seja a melhor possível. Ou seja, nesse caso, mesmo o feedback vindo de uma pessoa que não tem autoridade pra falar sobre a área de atuação da loja, ela fez uma crítica muito boa que deve ser considerada.

    Sobre criticar algo ou dar um feedback, aprendi a ser muito seletivo, levando em conta os meus resultados na área e pra quem estou falando.

    Como diz no post, como você quer falar sobre dicas de saúde se você é uma pessoa que está acima do peso? As dicas podem ser muito úteis, mas elas terão mais impacto e credibilidade se você for um exemplo de que aquela técnica funciona.

    Vou deixar listado aqui em baixo, algumas frases que me serviram como insights pro meu resumo do post:

    • O que o outro fala é problema dele, mas a forma como você reage a isso é problema seu.
    • (autoridade = conhecimento + resultados)
    • palpite não é feedback construtivo
    • O feedback é o café da manhã dos vencedores. (Ken Blanchard)
    • Desapega e abraça tudo que vem pra te fazer mais.
    • Todos nós precisamos de pessoas que nos deem feedbacks. É assim que evoluimos. (Bill Gates)

    Valeu Marina por mais esse belo texto. Gratidão! 😀

    • Marina Teixeira

      Luiz, boa observação, e acho que esse é o melhor cenário: você recebe um feedback, abraça e ele te gera um insight ainda maior! É lindo isso 🙂

  • Heloise Amorim

    Oi Marina tudo bem? Bem reflexivo esse texto para mim. Adorei.

    Qual o momento ideal para dar um feedback a alguém? A pessoa tem que pedir? Uma vez fiz isso com toda boa intenção e a pessoa reagiu super mal, ela disse que quando não se pede opinião não é um feedback, e sim um palpite invasivo na vida.
    Outra pergunta: o que fazer quando o feedback vem sem você pedir, e de uma pessoa extremamente egoísta e desumilde que trabalha com você? Como reagir ? Escuto e engulo o sapo ou gasto minha energia rebatendo com ela?

    Muito obrigada Marina, uma boa semana para você!
    Ja que vc pediu um feedback sobre o blog…segue um meu haha: cuidado com erros de digitação, concordância e ortografia…de resto ta PERFECT!
    Bjs

    • Marina Teixeira

      Heloise, vale responder atrasada? hehe

      Então, o momento ideal não sei se existe, mas um momento propício temos que criar, e aí envolve entender se a pessoa para quem você vai dar o feedback está aberta a isso. Se o seu feedback pra essa pessoa foi legítimo (com propriedade), a atitude dela é de fuga.
      E o mesmo vale pra outra situação… se a pessoa egoísta e nada humilde está te dizendo algo que vai te gerar reflexão e melhorias, não importa de quem veio, importa que veio… aí abraça. Se for apenas uma forma de ataque, aí você escolhe se ignora ou rebate. Mas lembrando sempre que preservar sua energia é uma das coisas mais importantes 🙂

      Obrigada pelo feedback, demorei mas não podia deixar de agradecer!

  • Muito orgulho desse post.
    Alinhamento de humildade com maturidade admiráveis.
    Fico feliz de ressaltar que com esse mindset, sendo afiado dia após dia, você vai ser a maior artista desse país.

    • Marina Teixeira

      E vamos nos afiando pra isso 🙂
      <3

  • Lucilene Maidana

    Marina, é incrível ver alguém da sua idade com tanta maturidade… eu até hoje estou aprendendo a receber feedbacks. A nossa mente, quando ouve algo de alguém que não nos agrada, já começa a traçar uma “estratégia de defesa”.
    Mas eu concordo com o texto, principalmente no quesito de trabalhar o mindset, para receber o feedback como algo que trará alguma evolução para a vida.
    Isso se traduz em estarmos abertos para receber do universo tudo aquilo o que ele nos traz, sendo humildes com relação a todos os ensinamentos que tivermos acesso, venha ele de onde vier. ?

    • Marina Teixeira

      Eu também estou aprendendo, Lucilene!
      E é isso mesmo, a gente vive atrás do escudo, entrando na caixa, né? O desafio é fazer o oposto… é aí que a mágica acontece, como diria o Goffi!