a arte e o poder de verdadeiramente se importar.

aprendi em casa, desde sempre, o que é verdadeiramente se importar com o outro e com as coisas, sem qualquer distinção. 

esse talvez seja um dos maiores tesouros que meus pais me deixaram. 

meu pai é aquela pessoa brincalhona e criativa, que faz os momentos virarem festa. ao mesmo tempo que é detalhista nível máximo e leva muito a sério tudo que faz, cria.

é também um cara de paixões. não me lembro de nenhuma fase da minha vida em que não o vi apaixonado por algo, algo que fosse dele e pudesse ser masterizado e compartilhado com as pessoas. 

minha mãe é um anjo, doce, leve e amorosa… onde ela está, quem está por perto se sente bem. e sem perder a leveza é hardwork pesado também, comprometida, dedicada e disciplinada com tudo que se envolve. 

ela sempre se entregou por inteira aos filhos, sem medir qualquer esforço, ao mesmo tempo que se entregar ao trabalho, onde ela se encontra. muita força e leveza, me ensinou tudo que sei sobre o poder da mulher.

eles me ensinaram o poder da empatia, a importância (que eu sempre internalizei como uma genuína obrigação) de tratarmos as pessoas sempre bem, sem distinção, olhando apenas para quem elas profundamente são.

provavelmente o fato de ambos trabalharem com crianças tenha desde sempre ajudado nessa sensibilidade e empatia. nesse jeito de se colocarem sensivelmente na vida e se importarem, com tudo e com todos.

dos exemplos que tive, muito eu aprendi, e a partir disso pude criar dentro de mim novos significados. e com o tempo, com os contextos, esse sentimento e atitude de se importar ganharam ainda mais significado na minha vida.

sabe por quê? porque pra mim, importar-se é, primeiramente, estar comprometido. comprometido com quem você é, com quem você se relaciona e, consequentemente, com o que você faz. 

começando por si, é olhar pra dentro e focar naquilo que te faz bem, que te faz crescer, que te empodera. é seguir no caminho da masterização, sentindo sua constante evolução. 

é ser apaixonando pela vida e pelas pessoas, pelos momentos e por si mesmo, afinal, é impossível fazer qualquer coisa lá fora que não esteja sendo trabalhada do lado de dentro.

e é nesse movimento que a gente começa a perceber os pontos cegos que tem. o que você não vê, mas acaba percebendo a partir do outro. aquela velha história de que o outro é como um espelho, nossa maior fonte de aprendizado.

importar-se consigo mesmo é se investigar para então se dar oportunidades.

e a partir daí você percebe que quanto mais você se importa, mais você se conecta com as pessoas. quanto mais você se conecta, mais você aprende. e quanto mais aprende, mais capaz se torna de acessar o outro e gerar valor pra ele. 

importar-se é estar presente e sensível. é olhar com profundidade, sentir sem precisar tocar e ouvir sem julgamentos. é se colocar no lugar do outro e realmente agir levando isso em consideração. 

é entender que existem diferentes perspectivas e que às vezes as pessoas só querem ouvir um “eu te entendo”, “tamo junto”. que muitas vezes, mais do que uma solução, elas desejam sua consideração. é respeitar as pessoas e reconhecê-las, não por obrigação, mas por empatia, pela vontade de ajudá-las a se fortalecerem da forma como você pode. 

importar-se é se comunicar honrando sua integridade, falando o que tem que ser falado, mostrando o que tem que ser mostrado.

é um sentimento que só nasce quando você cria significados para tudo que faz. quando arte, action e alta performance fazem total sentido pra você, afinal, é essa combinação que mantém acesa a chama do comprometimento.

por isso, importar-se é também não aceitar entregar o médio, nada menos que a sua excelência, não apenas por se preocupar com o seu trabalho, mas também com quem vai recebê-lo.

isso significa perfeccionismo? não, é um sentimento, ao mesmo tempo que é uma questão de mindset e objetivo. 

importar-se é expressar todo seu inconformismo nas coisas que você faz, na forma como faz, e assim se manter na constante busca do “be better”. porque no fundo, no fundo, o que menos conta é o que você entrega. é mais sobre construção, envolvimento e progresso… é isso que as pessoas sentem e isso que querem ver.

é entender que nem tudo é preto no branco e caminhar nas entrelinhas. é captar as sutilezas das pessoas, dos momentos, dos sentimentos, e agir sobre isso.

não é encher de detalhes, é estar atento a eles. ao que diz tanto sem se mostrar muito. ao que conta história sem precisar falar. 

ao mesmo tempo, às vezes é simplesmente mostrar o que todo mundo já tá vendo, mas que por algum motivo deixou de apreciar e reconhecer.

é, acima de tudo, valorizar a troca, a experiência e o aprendizado. é enxergar muito além do resultado.

é ser minimalista, sendo preciso e profundo.

enfim, se importar com as pessoas é uma das formas (se não a mais) mais genuínas de gerar valor e significado pra elas. de construir momentos, sentimentos e aprendizados que passariam batido…

aprendi em casa desde pequena a ser assim. depois, me apaixonei por alguém com quem pude trocar muito sobre a arte de se importar. e que dentro dela, com maestria, me ensinou demais sobre a arte de estar presente, pro outro e com o outro, pra si e consigo.

depois ainda nos conectamos com pessoas que também tem isso dentro de si. mais do que um sentimento, se tornou um valor de vida, um valor de empresa. #wefuckingcare, é como preferimos dizer aqui, com muito respeito e muita intensidade. com muita entrega.

como a gente gosta de resumir por aqui…

se importar é o ponto vermelho. é surpreender.

  • Ana Cristina

    Show de texto!! E como nossa sociedade está carente de pessoas assim, com essa sensibilidade para captar detalhes e com essa capacidade de se fazerem presentes de verdade, quer seja dentro de sua família, do seu trabalho, em qualquer lugar, com qualquer pessoa!! Parabéns, mais uma vez, Marina!!

  • Anderson Menezes

    Amei o texto! É exatamente isso que a humanidade precisa, uma visão horizontal de ver a vida.

  • Gerson Pires Barbosa

    Belo e profundo! é como disse Leonardo da Vinci: “Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro.”

  • Rosimeire

    lindo! dinâmico, amplo e profundo. Obrigada!!

  • Gostei de ler.

  • Maycon Perna

    me identifiquei muito, é incrível viver isso…

  • Carlos Ortega

    Marina, arrisco dizer que o “se importar” é o seu maior poder! E está usando essa “arma secreta” para transformar o mundo… parabéns! 🙂

    • Vislei Gonçalves

      Assisiti um filme ontem, cara, que conecta com essa ideia e e deu ótimos inshgts, como por exemplo:
      – Eu sirvo as pessoas Isso é o mais importante.
      Alguma coisa assim. O cara falou quando questionado sobre o valor de suas atividades profissionais. Peacyful Warrior o filme caso queiram ver, coloquei e inglês porque o título em português não te nexo, O Poder Além da VIda, nada a ver.

  • InDev

    tem algum podcast seu ?

    • Vislei Gonçalves

      Seria o bicho (rsrs), mesmo se no começo ela mão soubesse se expressar tanto falando, aposto que logo logo estaria dminando.

  • Rose Proença Barrios
  • Rose Proença Barrios

    Estou Amanda isso aqui, tenho tentando endorser sobre o tema pelo.meu filho, http://www.aaronbarrios.com.br. Com meu filho aprender a perceber o que passa w/o meu redor. Observar o mundo com os olhos dele.

    • Vislei Gonçalves

      Teu filho é um gêniozinho, nossa! Me inspirou. Deve ter muito orgulho.

      • Rose Proença Barrios

        Sim, ele e muito especial. Cada dia, mais talentoso. Obrigado pelas palavras. Insta AARONPBSRRIOS

  • Juliana Gomes

    Me conectei muito com o seu texto. Acabando de estudar o módulo 3 do MU2.2, em que foi bastante discutido o “gerar valor primeiro”, esse texto veio reforçar ainda mais a importância de cuidar do interior para desta forma estar presente, conectado e sensível para gerar valor para outras pessoas. Sempre estudo as referências e acabei de assistir ao TEDTALK do Willian Ury e ele mesmo fala como nos conhecer e estar em contato conosco nos prepara para ouvirmos verdadeiramente os outros. Fez todo o sentido para mim e ampliou a minha visão das formas de gerar valor para as pessoas. Grata, Marina!

    • Vislei Gonçalves

      Desculpe, lendo esse tudo aqui, impressionante como até os comentários aqui são de um nível… misericórdia… O que seria MU2.2, querida? Fiquei curioso.

  • Bruna Junckes

    Texto muito bom! tive a honra e o prazer de crescer em uma família muito parecida, onde as pessoas são muito mais importantes do que as coisas, é incrível poder ver que ainda existem pessoas that fuckingcare!

    um momento de presença pode dar um rumo novo as nossas vidas, uma coisa que sempre gosto de pensar é que todos tem uma história pra te fazer chorar, todos tem uma história pra te fazer rir e todos tem uma história pra te motivar..
    basta a gente querer de dicar tempo pra compartilhar!

    tamojuntooo

  • Tábata Leme Montero

    Texto extremamente contagiante, sincero e motivacional. 1% melhor a cada dia 🙂
    Gratidão!!

  • Conrado de Barros

    é a síntese perfeita do se importar com o próximo. parabéns pela matéria

  • The rocker

    Inspirador este texto…

  • Vislei Gonçalves

    Ótimo. Me senti até sem jeito de falar ótimo texto e soar superficial depois de tamanha profundeza e sensibilidade. A gente se vê por aqui (rsrs), o que posso dizer depois desse tiro de canhão?

  • Arthur Lima

    Awesome!