adapt or die: o novo mundo… o da mudança

 

final de semana passado fui para o meu paraíso visitar meus pais. algumas horas preciosas de conversa boa, risadas gostosas e olhares carinhosos, para alimentar a alma e recarregar as energias.

sempre me senti muito privilegiada por ser unha e carne com a minha mãe. desde pequena pude conversar com ela sobre tudo e aprender sobre muito.

ela não gostava muito do termo, dizia que era minha mãe, mas eu dizia que era minha cúmplice. o tempo tem passado e nossas trocas ficado cada vez mais ricas e profundas.

esse final de semana falamos bastante sobre resiliência, o quanto ela faz falta nos relacionamentos.

uns dias depois ela me mandou uma mensagem fazendo alusão a teoria da evolução de darwin – na natureza, as espécies que sobrevivem não são as mais fortes, e sim as mais aptas.  

darwin criou uma teoria para explicar a evolução das espécies ao longo de gerações, ou seja, a adaptação de populações (espécies) em longos períodos de tempo, a qual ele provou acontecer por meio da seleção natural.

o mundo vem mudando numa velocidade tão assustadora (e instigante, eu acho), que hoje a seleção não é mais tão natural. ela agora está em nossas mãos, somos nós que a criamos e definimos a qual condição temos que nos adaptar.

num momento em que falamos de inteligência artificial, realidade aumentada e viagem no tempo, podemos perfeitamente adaptar a teoria da evolução para nós: quem sobrevive não são os mais fortes, e sim os mais aptos.

aptos a se adaptar, a não apenas aceitar a mudança, mas gostar e ir atrás dela. e estamos falando de saltos de evolução cada vez maiores em intervalos de tempo cada vez menores.

desde pequena eu tenho o hábito de planejar tudo, de acordar sabendo tudo que vou fazer no dia, como vou fazer, o que vou comer, que roupa vou usar. com o tempo fui ficando um pouco inflexível, lidava mal com as mudanças de planos, com as coisas que saiam dos trilhos.

até que eu fui morar com o gabriel…  

ele é totalmente adepto a imprevisibilidade e é impressionante como lida bem com isso… não é só que ele aceita as mudanças com naturalidade e positividade, ele é mudança, um camaleão.

é curioso, isso está tão inserido nele que ele muda não só de ideias, mas também fisicamente. olho fotos antigas e parece que a cada ano namorei uma pessoa diferente. porque na verdade eu namorei, e se um dia isso me incomoda ou desafiou, hoje me encanta, afinal, para lidarmos com a mudança temos que mudar também.

até alguns anos atrás eu planejava não só meus dias milimetricamente, mas meses da minha vida… hoje não sei mais nem onde estarei semana que vem e isso me traz paz e leveza.

soa estranho para você?

há quem se assuste com esse nosso jeito de levar a vida. mas olho para o mundo e vejo que não dá mais para ser diferente… cada dia isso é mais presente, ou a gente se apaixona pela mudança, por ser constantemente flexível e adaptável, ou não sobrevive.

o mundo está mudando e cada vez mais rápido…

a internet tomou conta da comunicação, hoje todo mundo tem celular e o telefone fixo, que foi a grande sensação do final do século XIX, quase não tem mais utilidade para nós.

há 10 anos o instagram não existia e hoje ele é um dos principais pontos de contato das empresas com seus clientes, das marcas e artistas com seus seguidores. é hoje nossa realidade e daqui uns anos provavelmente já vai ter desaparecido.

a tesla já criou o carro elétrico e vem impactando as grandes empresas de geração de energia. fala-se cada vez com mais propriedade sobre carros voadores e teletransporte.

muitos dos empregos de hoje em dia vão ter sido 100% substituídos por robôs nos próximos 20 anos, não porque a tecnologia está aqui para acabar com empregos, mas porque ela vem para otimizar resultados, trazer novas soluções eficientes pro mundo e nos abrir caminho para pensar no next step.

a gente só perde o emprego se não se adapta à nova realidade, e na verdade essa é nossa nova realidade: a mudança constante e adaptação necessária.  

mas eu não queria só falar de tecnologia e das novas realidades que ela vem selecionando. eu gosto mais de falar de pessoas, de sentimentos e necessidades. de pensar nos efeitos e nas conexões.

se o mundo muda é evidente que as pessoas mudam, suas necessidades mudam e a forma como se relacionam também.  

o mercado de trabalho está mudando não apenas porque a robótica chegou, mas porque a evolução vem nos dando espaço para sermos seres cada vez mais autônomos, conscientes e livres, e isso tem despertado nas pessoas a percepção de que o modelo de trabalho antigo (já o considero assim, mesmo ainda predominante) é insustentável, que o novo mundo exige também uma nova relação vida pessoal – vida profissional, uma nova relação eu e o outro, uma nova relação eu comigo mesma.

a tendência é essa, as pessoas começaram a se recusar a fazer coisas que não tenham um verdadeiro significado para elas, que não traga benefícios e valorização, e que na maioria das vezes chega de um processo de decisão top-down.

cada vez menos as pessoas aceitam ouvir o que devem fazer com suas vidas. a tecnologia e a globalização nos deram uma autonomia e liberdade que ninguém mais aceita perder hoje, tanto no âmbito pessoal quanto profissional, e ambos se misturando.

na época dos meus avós ainda falava-se em sobrevivência. o cenário ainda era o homem que saia de casa para trabalhar e prover o sustento da família, que era cuidada pela mulher.

isso não existe mais nos dias de hoje, e junto com a tecnologia essa mudança impacta demais nossas vidas. muda o mundo, mudam nossas necessidades, nossas formas de expressão e, consequentemente, nossos relacionamentos…

“next to physical survival, the greatest need of a human being is psychological survival, to be understood, to be affirmed, to be validated, to be appreciated.” – stephen covey

não gosto de dizer apenas que o papel da mulher mudou, mas sim que ela finalmente conquistou espaço para criar sua identidade e decidir qual papel quer assumir. mas isso não impacta apenas ela, impacta os homens, as empresas, as organizações como um todo…  

o homem que tem que aprender a lidar com uma mulher forte e independente, dona de si. as empresas que tem que reaprender a se comunicar com a maior força consumidora do mundo.

os relacionamentos entre casais hoje são cada vez mais passageiros porque as pessoas ainda não aprenderam a gerir relações com dois sexos fortes. os que duram são aqueles em que ambos se respeitam igualmente e se dão os mesmos direitos de construir um caminho independente, conquistar sua liberdade e significância.

os relacionamentos que ainda tentam construir um conto-de-fadas não tem mais chances nos dias de hoje. as meninas não treinam mais para serem princesas, e sim guerreiras.

e a nossa realidade hoje é essa… o divórcio que por muito tempo foi tabu, hoje não poderia ser mais comum; o casamento que era sagrado vem perdendo espaço para a união estável. hoje cada vez mais casais optam por morar em casa separadas, ou por ter quartos separados.  

eu e o gabriel somos esse último caso. por que? por que nosso maior comprometimento é com a nossa performance e evolução, e o relacionamento é uma escolha constante. a gente escolhe estar junto, mas não é obrigado a isso e nem deixa que essa escolha se torne banal, cotidiana.

esses novos modelos de relacionamento vem para suprir relacionamentos que contam com dois sexos fortes, com duas pessoas que, antes de qualquer coisa, focam em si mesmas, no seu crescimento, na sua liberdade e nas suas conquistas.

o novo mundo quer essas pessoas, fortes, seguras e excelentes. e sendo bem realista, para ser excelente você tem que viver a sua arte ou estar no caminho dela, e isso significa fazer algo que tenha muito significado para você e que te traga significância.

então não foi só a mulher que mudou, o homem que ontem buscava um emprego que pagasse bem e desse estabilidade, hoje busca também muito mais prazer e sentido no que faz.

ou seja, mudaram-se todas as necessidades profissionais também, e as empresas que já não estão olhando para isso estão com os dias contados.

emprego bom hoje é aquele que, acima de tudo, valoriza o trabalhador, o estimula e ajuda a crescer, fala de propósito e de legado, dá autonomia e gera significância.

não é a toa que as empresas que mais se destacam hoje já migraram para modelos organizacionais bem mais horizontais e bem menos burocráticos. não é a toa que o RH vem vivendo uma revolução, que o endomarketing ganha cada vez mais espaço e importância nas empresas, e que cada vez mais as pessoas recebem para dedicar parte do seu tempo para aprender.

é por isso que o empreendedorismo vive uma crescente mundial e que as empresas que se destacam são aquelas que criam intraempreendedores.

e se mudou a necessidade do colaborador, mudou também a do cliente, que cada vez mais busca se relacionar com marcas verdadeiras, autênticas, com propósito, nas quais sentem que podem confiar.

basicamente, a luta hoje não é mais por qualidade ou preço, isso a tecnologia já conseguiu equilibrar bem. hoje a grande luta das empresas é pela experiência do cliente, por mostrar para as pessoas que ali elas encontram muito mais do que apenas um produto ou serviço. o jogo mudou e a gente só tem a ganhar com isso.

o mundo quer eficiência ao mesmo tempo quer cada vez mais personalização, e isso é experiência. não sei você, mas eu me conecto muito mais com algum produto ou serviço quando sinto que ele foi pensado para mim, quando uma marca faz eu me sentir única ao aplicar seus valores, propósito e significado.

junto com essas mudanças cada vez mais rápidas e frequentes está a busca pela excelência. quem se destaca hoje é quem está buscando verdadeiramente a excelência, e isso só acontece com as pessoas que estão conectadas com o que fazem, cercadas de impulsionadores, não de sugadores.

as pessoas, as empresas e os mercados que ainda não entenderam que, mais do que na era do conhecimento, estamos mesmo é na era da mudança, vão falir. o casamento vai falir, a amizade vai falir, a empresa vai falir e o emprego vai por água abaixo…

adapt or die, é isso que você pode se dizer todo dia ao olhar para o espelho.  

uma mudança implica sempre em destruição e reconstrução. se algo fica obsoleto, é porque algo novo chegou para assumir esse lugar. é só focar nas reconstruções que você já sai na frente.

essa é uma das nossas regras aqui na high stakes academy: desapego a qualquer ideia, mesmo aquelas trabalhosas que já tornamos reais, para estarmos sempre prontos para abraçar o novo e reinventar.

a adaptação que é ingrediente básico para a criatividade, para a inovação e para a eficiência.

se você está presente para isso, disposto a fazer amanhã algo completamente diferente do que faz hoje, a ser amanhã alguém diferente de quem é hoje, você está pronto para o presente!

o processo de mudança é uma aprendizagem contínua que mistura estratégia, estrutura,  tecnologia e pessoas. aproveite, a riqueza e o futuro estão na mudança, e quando você entende isso passa a enxergar oportunidades em tudo que poderia ser visto como problema.

não fique parado. esteja disposto a mudar sua abordagem, se adaptar e evoluir.

só podemos viver a inovação se aceitarmos mudar e nos adaptar. só podemos criar a inovação se além de sermos apaixonados pela mudança, corrermos atrás dela.

adapt or die. o que você escolhe?

 

  • Daniel Do Nascimento

    muito bom sempre aqui….

  • Paula Zendron Saia

    Como eu precisava ler seus textos (mais do que isso, ESSE texto) hoje Marina… Nossa, como é dolorido estar apto à mudança mas ser cobrado pelo oposto, por não querer se apegar àquilo que não te faz mais sentido. Quanto mais você se destaca por se adaptar e correr atrás daquilo que acredita ser o melhor hoje (só hoje, pois amanhã eu simplesmente não sei!), mais é julgado por acharem que sua vida é fácil. Se a mudança visivelmente não te dói ou se você não reclama a conclusão é clara: seus problemas são banais, suas dores são frívolas. Pessoas que dizem te amar demonstram o quão mesquinhas são com as vitórias alheias, uma vez que não compreendem como você consegue ir para frente em situações que elas simplesmente não conseguiriam (ou acreditam que não conseguiriam, o que dá na mesma). Quando eu achava que “ikigai” era o termo que resumia minha principal crença, veio o “adapt or die”. Acho que terei que viver com esses dois lemas de vida agora! Grata pela conexão mágica que você consegue com seus leitores! 😉

  • Emanuela souza

    Adapt!!!!Perfeito, Marina! A mudança é tudo! Temos que sempre almeja-la para conseguirmos evoluir como pessoa. Jamais poderemos ser os mesmos, ter o mesmo jeito de ser e pensar sempre, precisamos constantemente nos reciclar, eliminar o lixo mental, e saber que sempre, a todo momento está acontecendo algo novo e que esse novo pode fazer toda diferença na nossa vida e precisamos nos adaptar a isso.Enfrentar, pode até parecer, a princípio, desencorajador quando estamos na nossa zona de conforto, porém quando decidimos sair dela e mergulhar no desconhecido, no diverso, ocorre a transformação, né?! Sinto-me assim, confesso que as vezes da aquele friozinho na barriga, mas é algo tão bom e inusitado que sempre dá vontade de sentir e arriscar novos desafios. Dessa forma, a gente acaba descobrindo sentido para vida e não apenas queremos simplesmente viver, mas ter intensidade nesse viver! Entende?! Adorei a reflexão, Marina! Curtindo cada vez mais seu espaço!

  • Bruna Tenório Fontan

    Mudança sempre… muito bom ler seus textos, sempre inspiradores… acabei tendo uma sacada incrível pra o meu negócio!!! Obrigadaaaaaaaa!!! bjsss

  • Jose Carlos M C

    Como admirador da Marina, do Goffi e de Darwin, eu escolho … “adapt” … (I don’t want to die … rsrs … ) !!

    (*) Estou sentindo que, pouco a pouco, estou sendo atraído para viver #highstakes … #tudopelaarte … !!

  • Silvana Carvalho Arte Bijuteri

    Adapt!!
    Meu trabalho tem essa essência…as vezes me assusto. Me sinto sem instabilidade. Mas agora entendo que não é ser instável…é aceitar e viver as mudanças com mais frequência. A mesmice é passado. Obrigada por me fazer ver que estou normal hehe

  • M. Castro

    Sempre fui a favor da mudança.. acredito que tudo pode melhorar ou piorar.. assim o que piora pode melhorar e o que ta bom pode ficar melhor ainda.. e isso só depende de nós e nossa coragem! Claro que tem fatores externos como criação e etc.. O que quero dizer é que minhas amigas sempre destacaram essa minha coragem de mudança, e por um tempo me senti uma pessoa ”ruim” e sem tanto apego ao ponto de me mudar sempre que preciso sem medo.. Digo, sem medo suficiente para me fazer desistir! Vi que é besteira e que todas as pessoas são diferentes, seres particulares que sentem e agem diferente. Aceitar a si mesmo é aceitar o outro também, sou Camaleoa! Eu escolho me adaptar! Adoro seus textos e reflexões embasadas em conteudo lógico e empirico.. Que o universo esteja a seu favor!

  • A vida é a mudança! Sempre estamos mudando, todos os dias!

  • Marcio Nobre

    Adpt com certeza, não a toa que me identifiquei com o MU. Ótimo texto.

  • Samuel Jose de Abreu

    Sempre me coloquei a disposição do novo… aprendizado, modus vivendi. reinventar sempre essa é a lei da vida.
    Infelizmente muitos ainda não conseguiram enxergar essa nova tendência. Parabéns pela abordagem ampla em seu texto que engloba pessoas, empresas, serviços e produtos. Todos pela mudança, adaptar é preciso.

  • Renata Luísa Follmann

    Perfeito! Parabéns Marininha, ótimas reflexões a cada post, me surpreendem e me acrescentam cada vez mais, diferente de tudo o que encontro pela internet. Muito obrigada!

  • afonso Khossa

    parabens Marina, uma reflexão impactante

  • Paula

    Nossa Marina, teus textos sempre inspiradores e que dão aquela carga de energia maravilhosa e nos impulsionam! Amei! Gratidão por compartilhar <3 beijão

  • Maria José Lourenço

    Marina, obrigado por fazer meu celebro processar e buscar excelencia em tudo que faço, fazer repensar padrões de comportamento. valeu,!

  • Eunice Zucchi

    Marina! Que lindo!!! Senti muita uma emoção tão linda parece que estávamos conversando em um lugar lindo…amigas batendo um papo. Gratidão! Precisava mesmo conversar a respeito.