A pergunta que todo mundo já respondeu na infância (mas que não te levou a lugar algum)

 

“O que você quer ser quando crescer?”

Provavelmente você também cresceu ouvindo isso por todo lado… do seus pais, da professora, da família em geral, dos amigos da família…

Isso porque somos “educados” desde pequenos a ter um papel. Fazer algo e ser reconhecido por isso.

O engraçado é que quando somos crianças queremos ser o que nos faz feliz, o que nos remete a aventura, amor e diversão. Isso pra nós é o sucesso. Vemos sentido por trás de cada personagem que escolhemos encarnar, e vivemos isso intensamente, encarnamos.

O que você queria ser? Cantor, astronauta, bombeiro, super-herói… queria trabalhar no circo, ser piloto de avião ou cientista?

Lá em casa era assim… meu irmão queria ser lixeiro. Ele era fascinado pelos lixeiros que passavam na nossa rua, chamava todos pelo nome e todo dia jogava um saquinho no caminhão (porque era assim que ele era – se sentia – um deles, assim que ele realmente encarnava).

Eu não me lembro de querer ser nada até me apaixonar pelo ballet e encasquetar que seria bailarina. Mas também, depois que eu decidi isso… encarnei e fui com tudo: só assistia filmes de ballet, escrevia em todos as páginas dos meus cadernos da escola o nome das minhas bailarinas preferidas, e estava sempre dançando (meu lugar preferido era o supermercado, afinal, os corredores eram bem mais propícios para treinar do que o espaço que tinha em casa).

Lembro até de querer dispensar uma viagem em família para Fortaleza e um dia super divertido no Beach Park, tudo por que eu não queria era faltar no ballet… “Mãe, posso não ir? Eu fico na casa da Julia” (no caso, minha professora).

E você pode estar pensando “Ai, crianças…”. Provavelmente foi assim que minha mãe e todo mundo pensou, menos eu.

Porque é assim que começamos a vida… sendo quem queremos ser, ainda que para algumas crianças isso mude bastante ou até todo dia.

Mas infelizmente a pergunta que vem a tona é sempre “O que você quer ser quando crescer?”

E aos pouquinhos vão tirando essa liberdade de nós… não só as pessoas presentes na nossa vida, mas também a televisão e a sociedade como um todo. Tudo passa a conspirar pra isso: matar nossa essência e determinar que temos que assumir um papel. Que o “fazer” deve vir antes do “ser”.

O sucesso deixa de ser fazer aquilo que amamos e é divertido… agora temos que começar a seguir o conceito padrão que vem de fora: ter um emprego, uma casa, um carro… seguir os padrões de beleza, comportamento, estar na moda.

Regras e mais regras e aquela busca incessante por ter, ter e ter, sem poder de escolha.

E como seres ainda inexperientes, acreditamos que esse é o certo. Abraçamos esses conceitos de sucesso como se fossem nossa própria verdade.

A cada dia que passa a pressão só aumenta e vamos assimilando isso até que se torna normal.

Aceitamos não mais viver o que queremos pra fazer algo que é reconhecido pela sociedade. Damos adeus a nossa criatividade, a aquela vontade que tínhamos quando criança de explorar o mundo e as ideias. E entramos naquele ritmo frenético de trabalhar pra conquistar cada vez mais coisas.

Até o ponto em que se te perguntarem quem você é, a resposta vai ser: Sou médico, advogado, empresário, artista, publicitário…

Ops, não! Calma lá! A pergunta não foi o que você faz, e sim quem você é.

Cri. cri.

E é aí que entendemos porque hoje mais de 50% da população está insatisfeita no trabalho. Porque hoje a grande maioria das pessoas faz o que faz sem entender bem por quê.

É porque chegou (e não demorou muito) a frustração… quando nos damos conta que há tempos estamos apenas assumimos um papel. Que nos perdemos no meio do caminho… perdemos nosso ser pro ter.

E eu entendo que nem podia ser diferente né… são raríssimas as escolas hoje que priorizam a construção real do indivíduo. Que se preocupam em desenvolver nas pessoas competência social e responsabilidade moral. Que estimulam os sonhos, a criatividade e a verdade.

O maior movimento educacional que eu conheço que tenta mudar esse cenário vem da pedagogia Waldorf, que trata o indivíduo de forma holística, integrando desenvolvimento físico, espiritual, intelectual e artístico.

Isso é lindo e até vem ganhando força no mundo, mas ainda é pouco, muito pouco. E a grande maioria dos pais, por serem bombardeados por outros modelos de ideal, pela ideia de segurança e não sei o que mais, entram na onda e acabam guiando seus filhos para esses papéis, não para eles mesmos (com a melhor das intenções).

Então como mudar esse padrão?

Que tal a partir de hoje você começar a se perguntar “Quem eu quero ser?”.

Deixa entrar por um ouvido e sair pelo outro quando te perguntarem o que você é ou o que você faz. E dê o exemplo… comece também a perguntar para as pessoas quem elas são ou querem ser.

Aquela sensação de estar perdido, de não se reconhecer no que faz e não entender direito porque faz… Pois é, na maioria das vezes isso acontece porque esquecemos o que nos faz sermos nós mesmos. Começamos a assumir papéis, muitos inclusive que não nos representam, e vamos de pouquinho em pouquinho nos distanciando cada vez mais da nossa essência.
Por isso que a primeira coisa que você precisa fazer é trocar o “o que” pelo “quem”. E ir a fundo nisso.

O problema não necessariamente está na sua profissão ou no papel que você vem exercendo. O problema está no vazio que sustenta isso.

Então primeiro você precisa descobrir quem você quer ser

Como você quer que as pessoas lembrem de você? O que você quer dar pro mundo, como quer se sentir todos os dias?

Você quer ser uma pessoa amorosa, positiva, corajosa? Quer se sentir útil e ser exemplos para as pessoas?

Como você se vê daqui 20/30 anos? Qual a imagem que quer que seus filhos e netos tenham de você?

Se você quer estar entre gigantes, você precisa fazer coisas pra atrair o interesse e a atenção deles.

Se você quer conquistar alguém, você precisa se tornar uma pessoa interessante pra ele. Não acontece do nada, assim como tudo.

E só depois que você já tiver refletivo muito a respeito disso que você pensa em o que você pode fazer para expressar pro mundo quem você é e quer ser.

E aí entra a segunda pergunta mais importante:

“Quem você precisa se tornar pra ser quem você quer ser e ter os resultados que deseja?”

Se hoje você ainda não acorda todo dia pegando fogo por dentro pra viver a sua arte, muito provavelmente é porque você não descobriu que tipo de artista você quer ser. E nem quem você precisa ser no dia a dia para se realizar como tal.

E aí, todos os dias seus sonhos escapam, escorrem pelas suas mãos. Como um sopro.

Eu sei que não é fácil, e isso não é uma reflexão que acontece e pronto. É algo constante, que você está sempre modelando… porque a medida que suas metas mudam, evoluem, a pessoa que você tem que ser pra acompanhar isso também vai mudando.

A primeira vez que eu realmente escutei QUEM eu queria ser foi quando eu decidi virar a página da faculdade.

Quando eu percebi que eu queria ser livre e fazer muito mais do que a psicologia convencional me possibilitaria.

Quando eu parei pra pensar quem eram meus heróis e de quem eu queria ser herói. Já pensou nisso? É poderoso demais!

Nesse momento eu descobri que eu estava seguindo o caminho errado e mudei de rumo. Hoje estou construindo quem eu verdadeiramente quero ser. Tento ouvir mais minha criança, aprender com meus sonhos…

E todo dia, no meu ritual matinal, quando estou mentalizando, tem duas perguntas que eu sempre me faço:

Quem eu quero ser hoje? E quem eu preciso me tornar pra ter os resultados que eu quero ter?

Quem eu quero ser com meu marido, com minha equipe, com o porteiro do condomínio, com as pessoas que eu encontrar na rua…

Como eu quero me sentir hoje, a partir de agora até a hora de dormir.

A partir disso eu consigo colocar intenção no meu dia. E o gostoso de ter esse ritual é que você começa a aprender com todo dia que não é bem aproveitado.

É a partir dessa ideia, de quem você quer ser e precisa ser, que você consegue definir tudo que a partir de hoje você não vai mais aceitar… todas as atitudes e pensamentos que não mais farão parte de você. E tudo que você vai masterizar todo santo dia pra chegar aonde quer.

E se você nunca parou pra refletir sobre isso, não se preocupe. Tira um tempo pra você hoje, para e pensa: Quem eu vou ser a partir de hoje?

Que ações eu preciso tomar para me tornar essa pessoa? Em que áreas eu estou falhando que estão me distanciando de ser essa pessoa?

Se for preciso, finja que você ainda é aquela criança cheia de sonhos, em busca de amor e aventura… e que todo dia você vai acordar, colocar sua fantasia e encarnar a pessoa que você quer ser, até ser. 

“Tentei não fazer nada na minha vida que envergonhasse a criança que fui.
Quando me for deste mundo, partirão duas pessoas. Sairei de mão dada, com essa criança que fui.” – Saramago, José

E repito, sei que não é fácil. Mesmo com esse ritual eu ainda não consigo aproveitar 100% dos meus dias. Mas eu aprendo com isso, e esse é o mais importante.

Nunca deixe um dia passar e ser simplesmente uma lamentação “droga, hoje foi um dia improdutivo”.

Não.

Eu aprendi com o Gabriel que a raiva, mesmo sendo um sentimento ruim, também tem seu lado bom. Que muitas vezes o que coloca a gente de volta no jogo é essa raiva interior.

É essa raiva que nos faz simplesmente não aceitar nada que fuja do que queremos ser. É essa raiva que diferencia quem está no topo de quem continua nadando contra a maré.

E sabe qual o melhor disso tudo?

Diferente do “o que”, o “quem” não precisa esperar. Se hoje você decide que quer ser médico, você vai ter que esperar no mínimo 7 anos pra viver isso.

Se você decide quem você quer ser, a batalha começa hoje, agora.

Não importa sua idade, carreira, ou papel que vem exercendo… você tem o poder de escolher e expressar, em cada coisa que faz, quem você realmente quer ser.

A conta é simples… você só não é quem não quer ser, e só não tem o que não quer ter.

E se não tem essência, se não tem propósito, a conta não fecha.

Esse blog é uma das minhas ações pra eu ser a nova pessoa que decidi que quero ser. Todo dia eu repenso e modelo isso…

E uma das coisas que eu acredito que mais nos atrapalha de chegar na ideia de quem queremos ser é o ideal de vida que a mídia e a sociedade nos impõe.

Isso nos prende muito ao “o que”. E como muitas vezes ele está lá longe, vem a frustração e em muitos casos, a desistência.

Mas pode acreditar que quando você descobre, acima de tudo QUEM você quer ser, nada mais fica distante. Quando você começa a se imaginar sendo quem você quer ser, esses outros “o que” até perdem a graça de tão comprometido que você passa a ser com a pessoa que você quer se tornar.

Às vezes você descobre que precisa começar um novo projeto de vida, que tem que frequentar novos ares e conhecer novas pessoas…. Às vezes descobre que o que vai te preencher é simplesmente estar mais presente com as pessoas que ama, ser mais você, se sentir livre.

Somos seres que são, não que fazem. No inglês isso soa melhor: we are human being, not human doing.

Então porque raios ainda hoje perguntamos pra nossas crianças o que elas querem ser quando crescer? Na escola, em casa ou em qualquer lugar… tínhamos que alimentá-las com outras ideias. Tínhamos que ensiná-las a pensar em QUEM elas querem ser e ajudá-las a construir isso. E fazer o mesmo por nós, claro.

Era isso que eu queria te dizer hoje. E pra finalizar quero deixar um desafio…

Todo dia quando acordar você vai se fazer duas perguntas:

– Quem eu quero ser hoje?

– Quem eu preciso me tornar pra ser essa pessoa e ter os resultados que eu desejo?

Escolha quem você que ser. Decida por isso. E seja!

Como sempre, estou aqui nos comentários 🙂

 

  • Joel Lisandro

    Sensacional! Dá pra sentir toda a energia positiva que vc sentiu e descreveu em palavras. Com fé em Deus conseguirei me tornar quem eu quero ser… Obrigado pelas dicas Marina.

    • Marina Teixeira

      Que bom que dá pra sentir, Joel 🙂
      E vamos lá que não é só fé… muito planejamento e intenção!

  • Show de bola, me alinho muito com essas ideias.

    • Marina Teixeira

      🙂

  • Liliana Donatelli

    Muito legal Marina. Estou vendo o Pedro pendurado na lareira fingindo ser o caminhão de lixo, balançando a perninha e gritando todo orgulhoso. Temos que ouvir a nossa criança interior. Sempre!

    • Marina Teixeira

      Que ótima lembrança, Lili!
      O Pedro tem várias histórias dessa, daria um post só dele!

  • Heloise Amorim

    Muito Bom texto Marina. Com certeza não é fácil principalmente por culta do que a sociedade nos impõe como correto desde criancinha. Para descobrirmos que queremos ser precisa de muito auto-conhecimento, reflexões, imersões e meditações, infelizmente não é pra qualquer um, pois as escolas não ensinam a pensar de fato.
    Legal a parte que vc falou do lado bom da raiva, com certeza é verdade, eu costumo usar o termo revoltado, inconformado hehe.

    Você aceita pedidos e sugestões para os assuntos que vc vai escrever? Caso sim, gostaria muito de saber sua opinião sobre esses vicios ( tabaco, alcool em excesso , drogas ) sobre esses comportamentos auto destrutivos que muitas pessoas tem e não percebem.

    • Marina Teixeira

      Oi, Heloise!
      Aceito sim… é sempre melhor escrever o que as pessoas querem ler, né?!
      Vou registrar aqui e em breve falamos sobre isso! Obrigada pela sugestão 🙂

  • Luiz Fernando Heiras

    Cada post que passa, a reflexão fica mais profunda e interessante. Se todo esse questionamentos que foi expostos no texto, fizesse parte do cotidiano das pessoas, com certeza o mundo teria pessoas mais felizes e realizadas. Não gosto da ideia de “colocar a culpa” em algo ou alguém sobre um fato que aconteceu ou deixou de acontecer, mas a segurança que os pais querem tanto para os filhos, acaba fazendo com que eles se moldem de acordo com a sociedade. É como se o lema para a vida fosse, “estude, tenha uma profissão, crie uma família, eduque seus filhos e depois fique com sua aposentadoria aproveitando seu resto de vida”, será que todo mundo precisa seguir essa “cartilha”? Quem disse que temos que formar uma família? Ter filhos? Nos casar? Conseguir emprego numa das profissões que a sociedade considera correta?

    Isso não quer dizer que aos 17 anos, o estudante não possa escolher passar num vestibular e ficar 4 a 6 anos estudando sobre sua tão sonhada profissão, a questão é: será que todas essas pessoas querem ser a mesma coisa? O que me espanta nisso tudo, é ver a concorrência que pouquíssimos cursos geram. Só eu que não quero ser médico nesse país? Tudo bem que é uma profissão muito importante para a sociedade, precisamos de mais profissionais como eles e alguns tem o sonho de ser médico, mas não podemos negar que tem aquela boa parte que se interessa apenas pelo salário no fim do mês! Fato! Todo mundo já passou por aquele médico que te atendeu super mal.

    Que tal a gente mudar todo esse conceito para “faça o que te faz feliz!!!”. Você pode ser o que quiser, desde que assuma a responsabilidade de se sustentar e correr os riscos para chegar onde quer, pode ter certeza que a partir do momento que começar a fazer sua arte com excelência e gerar valor para as pessoas, todo o resto vem facilmente. Sobre a parte que citei sobre “se sustentar”, é pra lembrar que precisamos de dinheiro para sobreviver, isso é fato. Mas lembre-se que o dinheiro é consequência de um trabalho bem feito que de alguma forma gerou valor para a outra pessoa. Vivemos num mundo de troca de valores, agora basta você descobrir qual o valor que gosta de gerar para as pessoas e a mágica está feita!

    Muito bonitinho você ver os pais perguntando para o filho: o que você quer ser quando crescer?
    Mas logo após entrar na escola, tudo se transforma e essa pergunta nunca mais é feita. O incentivo para o que ele sonhava ser, não existe mais. Agora as ordens são tirar boas notas, passar no vestibular, formar na faculdade e conseguir uma profissão que se encaixe no padrão da sociedade.

    Se a educação que os pais dão para os filhos fosse diferente de apenas colocar eles na escola, esperando que ela resolva tudo, as coisas seriam diferentes, com menos pessoas insatisfeitas com o trabalho e infelizes. O trabalho de incentivo ao sonho do seu filho deve ser constante e não apenas uma pergunta que se faz quando ele tem 5 anos.

    Desculpe o comentário tão grande, mas já debati esse assunto com algumas pessoas e é um assunto que me intriga muito, por isso tenho tantas coisas a serem ditas. Na verdade tenho mais a dizer, mas acho que a mensagem foi passada de maneira clara.

    Belo trabalho Marina, encontrei no seu blog um espaço para compartilhar minha opinião sobre assuntos que quase ninguém quer debater hoje em dia. 😉

    • Marina Teixeira

      Cheguei atrasada mais chegue, Luis.
      Adorei quando disse “agora basta você descobrir qual o valor que gosta de gerar para as pessoas e a mágica está feita!”. Você aqui sempre gerando valor! Obrigada e parabéns pelas reflexões!
      E é isso aí, claro que os pais nunca fazem por mal, Muitos deles, quando fazem isso, o fazem porque reproduzem o que viveram. É sempre importante lembrar que cada um dá o que pode!

  • Lucilene Maidana

    Muito legal esta reflexão, Marina. Infelizmente, com o passar dos anos, vamos deixando de lado nossa criança interior, e, consequentemente, vamos deixando de sonhar.
    Como tenho uma filha, controlo ao máximo minhas palavras para não deixar que ela se influencie pelos meus desejos, mas sim, para que ela sempre faça suas escolhas, e nunca deixe de lado seu verdadeiro “eu”.

    • Marina Teixeira

      É, vamos deixando passar, mas ter uma filha é também uma forma de se contagiar, e aí fica mais fácil resgatar a sua criança 🙂
      Por sinal, ela é linda. Parabéns!!

  • Oi Marina…

    Excelente artigo.

    Infelizmente a sociedade e escola que nos “estragam”… Estou pensando em ter filhos e tenho essa preocupação com a educação deles… Não conhecia a pedagogia Waldorf, vou dar uma olhada.

    Parece que as coisas estão mudando, muitas pessoas influentes estão abrindo os olhos das pessoas para esta realidade. Negócio é fazer a nossa parte.

    Abs

    • Marina Teixeira

      Isso, Eduardo. Se filhos estão nos planos dá uma procurada sim as escolas que usam a pedagogia Waldorf.
      Com certeza em breve novas possibilidades vão surgir, mas o primeiro passo é esse… estar ciente do risco que é simplesmente colocar uma criança numa escola convencional e achar que isso basta para sua formação.

  • Claudio Maidana

    Marina sempre criando boas sensações com seus dizeres…

    Lendo o seu texto, fui remetido para alguns episódios da minha infância.

    Eu nunca soube o que gostaria de ser, meus pais não tinham instruções para nos dar esse direcionamento, porém eu sabia o que eu NÃO queria. A vida sempre foi muito difícil por lá, minha mãe era uma pessoa rígida e de não firme para a correção na nossa “educação”.

    A base para qualquer resultado sempre foi o sacrifício, os dias eram judiados, andávamos 8 kilometros a pé ou mais para ir a escola.

    Por muito tempo, não achava atrativo ter que ir para escola, era punição de todos os lados, a escola me punia por chegar atrasado, por não ter disposição de aprender ( era muito cansativo), em casa era punido por que levava punições na escola. Isso era o ciclo do que era a escola pra mim, do que era ser crianças e isso abortou qualquer chance lúdica de imaginar algum desejo futuro. Além disso todo o tempo restante, tínhamos que ajudar nas tarefas de casa.

    Não tivemos muito tempo para “sonhar” até por que isso, no entender da minha mãe é coisa de preguiçoso. Quantas vezes ouvi ela me gritar, “para de pensar na morte da bezerra” e vai fazer tal coisa. ” até hoje não entendo por que diabos a Bezerra era punida também. Em fim, ela tinha o dom da percepção do ócio iniciado.

    Por conta de todas essas situações, aos 13 anos eu tive a percepção DO QUE EU NÃO QUERIA SER. Eu não queria ter aquela vida. Então fugi de casa e aos poucos direcionadas por outras pessoas, fui alimentando o meu ser com os meus primeiros sonhos, infelizmente a necessidade do sustento não me deu muita escolhas e segui adiante. Hoje com 35 anos, vivenciando as situações lúdicas da minha filha, aprendi a sonhar como criança, algo que não conhecia. Aos poucos todo esse repertório está moldando o meu ser e me direcionando para a pessoa que PRETENDO SER.

    Essa vai ser a minha segunda fulga, só que dessa vez estou indo acompanhado viver um SONHO da criança que nasceu em mim.

    Gratidão enorme Marina, por me reportar a toda essa memória

    • Marina Teixeira

      Arrepiei. Você é admirável, Claudio!
      Sem dúvidas sua filha linda está em ótimas mãos!
      Felicidade imensa de ver a sua consciência na criação e liberdade que proporciona pra ela. E felicidade imensa em vê-lo conquistando tanto podendo sonhar ao mesmo tempo.
      Parabéns, porque seu sucesso é certo 🙂

  • Maria Fernanda Ayres Nogueira

    Veio tanta coisa boa na minha cabeça lendo seu texto… bem propício pra este meu momento de formatura! Acho que nunca tive uma profissão da infância, mas sempre tive na minha cabeça que queria cuidar das pessoas. Por isso já quis ser médica, por isso saí de uma faculdade errada pra mim. Quando fui pra psicologia, talvez eu não soubesse muito bem o que ia encontrar, mas tinha uma pista: queria cuidar daquilo que ninguém cuida, e que, na minha visão, é a parte mais delicada e importante do ser humano: o que ele É, sua subjetividade, sua vida, além de seu corpo físico ou de sua conta bancária. Pq isso aí dá pra aprender numa sala de aula. Mas dar a mão pra outra pessoa e dizer de verdade “estou contigo”, é pra poucos. Agora que sou doula, então, isso está ficando ainda mais claro – e literal. Sei muito bem QUEM quero ser, sinto que estou vivendo de acordo com isso e motivada a melhorar cada dia mais. Senti felicidade lendo seu texto, Ma, porque ele me recordou de que eu estou mais próxima do “sucesso” do que eu pensava 😉 e fico feliz em saber que você também está!

    • Marina Teixeira

      É pura emoção ler isso!
      Sei bem o quão complexo é esse lado das pessoas que você escolheu “cuidar”. Ouvir antes de falar é pra poucos, sair de si e se abrir pro outro é pra muitos poucos. Mas tenho certeza que você nasceu pra isso <3
      O sucesso já está aí, agora é só potencializá-lo!