5 coisas que eu aprendi na infância sobre ser consistente

 

quando pequena eu e meu irmão nunca podíamos faltar em nenhuma atividade extra que fazíamos.

lembro muito dos dias em que ir para o inglês era um sofrimento e eu fazia de tudo para tentar faltar, mas lá em casa ninguém dava bola para esse meu tipo de drama. a gente só podia escolher não ir em alguma coisa se estivéssemos doentes.

me sentia injustiçada por isso e reclamava a beça. “sortudas as crianças em que a mãe não pega no pé assim”, era o que pensava…

com esportes era a mesma coisa, sempre tivemos que estar praticando alguma atividade física. comecei a fazer natação muito novinha, mas não gostava. pedi para sair algumas vezes e a resposta era sempre “pode, marina, depois que você encontrar outra atividade para fazer”.

hoje penso “que sorte”, pois foi assim que o ballet entrou na minha vida <3 (e nesse caso era o oposto, eu não só não queria faltar nunca, como às vezes esse era até meu castigo. “você vai ficar 3 dias sem ir no ballet se…” era para mim o pior castigo do mundo.)

toda vez que eu queria faltar, fosse no inglês ou na natação, minha mãe me lembrava que não é assim que as coisas funcionam, que temos que ser consistentes nas coisas se quisermos ter bons resultados, e não ficar quicando de uma coisa para outra sem, no fim, concluir nada.

eu não entendia bem e continuava me sentindo injustiçada, mal sabia que assim ela estava me ensinando desde cedo a ser uma pessoa de hábitos, responsável e disciplinada, uma pessoa consistente em suas ações.

ela estava desde então me ensinando o quanto é verdade aquela famosa frase “o sucesso não vem do que você faz ocasionalmente, ele vem do que você faz consistentemente”.

desde essa época do ballet eu aprendi a buscar referências, a tentar aprender com pessoas que já trilharam o caminho que escolhi seguir. pessoas que me inspiravam e me ensinavam. com o tempo isso só aumentou, estudei artistas, atletas, grandes empresários e empreendedores, e assim fui descobrindo que todos eles tinham seus rituais diários, práticas consistentes que os preparavam para brilhar. práticas específicas e inegociáveis que faziam todos os dias,

muitas pessoas acabam confundindo, mas ser consistente não significa ser uma pessoa fechada, quadrada, e nem cair na mesmice. pelo contrário, acredito que a consistência se fortalece com a reinvenção. hábitos que estão sempre sendo reinventados para serem aprimorados, pessoas que estão se recriando para pensar e agir diferente.

sei que não é nada fácil se manter na linha e que esse é o fantasma de muita gente, mas meus pais me treinaram desde cedo para ser uma pessoa consistente, de hábitos e resultados consistentes, e hoje resolvi compartilhar um pouquinho do que aprendi com isso.

 

1 – tenha muita clareza do que você quer

é muito mais fácil se manter na linha quando se trata de algo que você quer muito, quando sabe o que quer atingir e por quê.

caso contrário, a vida passa e nem percebemos, e aí quando nos damos conta estamos dançando conforme a música de outras pessoas, não a nossa.

a dedicação, a verdadeira entrega, só vem quando estamos muito alinhados com o que queremos, quando conseguimos visualizar, pintar uma imagem e se ver nela. isso é clareza.

quem já dançou ballet ou fez parte da vida de uma bailarina sabe que o passo mais temido e desejado por todas é o fouetté, em que você emenda um giro no outro (sabe aquelas caixinhas de música que fica uma bailarina rodando? é quase isso, a diferença é que na vida real é preciso pegar impulso para continuar rodando, e a perna que não é a da base fica responsável por isso)!

 

 

quando começamos a aprender isso no ballet eu decidi que muito em breve estaria fazendo 32 fouettés (o que a gente chama de “coda” no ballet), pois em um dos meus repertórios preferidos tinha que fazer 5 fouettés, e meu sonho no momento era dançar esse solo.

como eu sempre ficava até um pouco mais tarde no ballet esperando minha mãe sair do trabalho e ir me pegar, comecei a treinar no vestiário depois da aula. todo dia estava lá, tentando muito e caindo mais ainda. no geral, eu nem me abalava com os tombos, pois meu foco estava todo em dançar la fille mal gardée e para isso eu tinha que aprender a fazer fouettés. nessas horas que meu pai falava, “essa menina é danadinha”.

era assim, eu chegava mais cedo, ia embora mais tarde, e treinava rigorosamente todo dia, mesmo nos dias em que no final da aula minha professora não deixava tempo para isso. consistência! o resultado? fui a primeira da turma a aprender e dancei lá fille 🙂

 

2 – escolha uma única batalha para jogar por vez

aquela velha história de focar em apenas uma coisa por vez. concentrar todas suas energias em uma única batalha.

assim como é difícil se tornar especialista em mais de uma coisa, realizar com consistência inúmeras atividades também é. Assim como a medida que vamos usando uma bateria ela vai descarregando, com nossa força de vontade e disciplina acontece a mesma coisa.

é por isso que temos que ser estratégicos e nos comprometermos a ser consistentes nas nossas “big rocks”, naquilo que realmente está alinhado com o que queremos, pois se tentamos fazer tudo acabamos não fazendo nada!

então quando eu falo em escolher uma batalha por vez é para mirar no mais importante, entender os fatores que influenciam sua ação nisso e trabalhar cada uma delas, inegociavelmente.

aqui na empresa essa é justamente nossa forma de organização. estamos sempre lutando… temos duas guerras masters, e num período de 4 meses, cada time pode ter no máximo duas batalhas, isto é, dois focos, dois projetos que eles tem que fazer acontecer, faça chuva ou faça sol.

se tivéssemos todos envolvidos em muitas coisas ao mesmo tempo, o resultado não viriam com tanta força (rapidez e qualidade). Por isso usamos o foco como estratégia principal, para todas nossas energias, criatividade e habilidades serem direcionadas para no máximo duas coisas, e assim garantimos consistência e excelência em todas as tarefas que envolvem os processos (sem contar a diversão de estar sempre lutando para vencer e não morrer no campo de batalha).

Experimente fazer assim… escolha uma batalha por vez. depois que você tornar todas as ações em hábito e vencer a batalha, aí tá liberado para abraçar a próxima 🙂

 

3 – agende suas prioridades

“não priorize sua agenda, agende suas prioridades” – steven covey

qual a lógica de pegarmos nossas maiores prioridades e ficarmos tentando encaixá-las numa rotina toda atarefada, que vive mudando e se adaptando aos imprevistos e urgências do dia a dia?

eu sei, isso acontece o tempo todo e é super difícil fazer diferente, mas é assim que a gente se perde, deixa passar o que é importante e começa a fazer “o que dá”.

a estratégia tem que partir da na sua batalha: construa todo o restante em torno dela, programe seus dias e semanas em função dela. é só assim que vai conseguir, de fato, tratá-la como prioridade e fazê-lá ser inegociável.

imagina se você pudesse encontrar uma das pessoas que mais admira ou já admirou, se pudesse sair para tomar um café com ela e perguntar qualquer coisa… você programaria toda a sua semana em função disso, concorda?

é igual quando você marca uma viagem… tenho certeza que nunca teve que cancelar uma viagem que já estava toda fechada porque não conseguiu entregar tudo que precisava no trabalho.

então, trate da mesma forma tudo aquilo que considera como prioridade: para tudo, coloque-as em primeiro lugar e depois pense em todo o resto. se o mundo cair, você continua lá, firme e forte. Isso é fazer uma prioridade ser inegociável.

a partir de agora nenhum furacão mais rouba espaço na sua agenda, ele fica na lista de espera esperando vagar um horário.

 

4 – prepare-se para os dias em que o diabinho aparecer

sabe aqueles dias em que você acorda sem vontade de fazer nada? ou pelo menos sem vontade de fazer as coisas que precisa fazer? aquele sentimento de “aiii, hoje eu não to afim” que todos nós sentimos? então, não dê ouvidos a ele. esse é o diabinho que vai tentar te tirar do seu ritmo de consistência.

o meu vivia aparecendo na infância tentando me convencer que faltar na aula de inglês era legal, que isso era ser livre e que as mãe “bacanas” deixavam.

na época eu não tinha maturidade para lidar com isso, mas contava com a minha mãe. hoje é comigo.

sempre que eu começo a deixar essa vozinha crescer e começo a me vitimizar, lembro das minhas batalhas, do que eu quero e de onde eu quero chegar.

sim, ainda que você viva sua arte e ame o que faça, ele vai aparecer de vez em quando. então você tem que estar preparado! como diria o gabriel, “foco na bola” e lembra que as prioridades são inegociáveis.

 

5 – reinvente-se

definitivamente, ser consistente não é fazer sempre a mesma coisa, é se manter sempre no caminho dos seus objetivos, sem perder o ritmo.

fazer sempre a mesma coisa é perigoso… você pode ficar desatualizado ou acabar insistindo em algo que não vem dando resultado, por isso faz parte do processo estar sempre se reinventando. medindo o que está dando certo e o que pode ser mudado e melhorado. a batalha continua a mesma, o foco é o mesmo, mas às vezes você descobre que é melhor seguir por outro caminho e tá tudo bem. não pense que precisa ficar chovendo no molhado para ser consistente nas duas ações.

já dizia einstein, “insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”.

eu e o gabriel estamos juntos há quase 11 anos, então podemos considerar que tem consistência aí né. agora imagina se a reinvenção não fosse um dos nossos combustíveis… certamente não estaríamos mais juntos já há muito tempo. já teríamos enjoada um do outro e não teríamos aprendido a lidar com as mudanças de cada um, que são inevitáveis em tanto tempo.

a reinvenção traz aquele gostinho especial para tudo que você faz com consistência. é como se estivesse sempre fazendo algo novo, vivendo algo novo, sem deixar de seguir na luta da sua grande batalha.

estamos juntos há quase 11 anos mas o sentimento é de que acabamos de nos conhecer, pois estamos sempre em mutação. o que fazemos é acompanhar essas mudanças e garantir que elas continuam fazendo sentido para ambos, que continuamos caminhando na mesma direção.

aprendi bastante sobre consistência desde criança, especialmente com a minha mãe e com o ballet. é claro que isso não me tornou invencível e às vezes eu também falho. por exemplo, em pouco mais de um ano de blog eu deixei de postar aqui umas 4 ou 5 semanas, hehe. foi falha de consistência, desorganização da minha parte, não priorização.

mas hoje, depois de tanto tempo trabalhando essa habilidade, eu sei identificar que quando falho é porque abri mão de algum desses 5 pontos que citei. e assim vou tentando aprimorar.

não precisa sofrer toda vez que falhar no meio do caminho, mas precisa identificar onde e porque isso aconteceu.

agir com consistência é um dos segredos para quem quer ter sucesso, para quem quer ter resultados significativos e conquistar cada vez mais espaço para sua arte. é assim que eu entendo.

espero em breve poder vir aqui contar que ganhei uma das batalhas mais importantes que já lutei. e adoraria saber quais são as suas. qual a sua luta no momento e qual a estratégia para se manter consistente nela?

 

  • Sempre brilhante as suas postagens, Marina.
    O tópico 2 (escolha uma única batalha para jogar por vez) me fez lembrar do livro “A Única Coisa, Keller, Gary” (ótimo livro).

    Uma ótima semana, até a próxima.

  • Debora

    Excelente postagem Marina, como sempre. Venho acompanhando por aqui há algum tempo, silenciosamente.
    Faço terapia a pouco tempo e já levei alguns textos seu para minha psicologa te conhecer! haha, são inspiradores pra mim e para outras que ela queria inspirar através de vc!
    Não vivo minha arte, mas tento constantemente. É preciso organizar alguns fatores da vida para poder viver a arte, isso também faz sentido certo?
    Gosto muito das postagens de segunda, assim já começo meu limpa nos e-mail e já abro aqui para uma leitura… sempre tão genial! Parabéns! Muita arte a vc, para nos inspirar com frequência!
    Otima semana!

  • James Santana

    Muito muito bom obrigado ma

  • Joyce Mingorance Cavallini

    Show! Amadorei!
    Dá até vontade de ser sua amiga! hahaha Bjs

  • temis

    É maravilhoso desfrutar das suas idéias e realizações, a ponto de parar para refletir e AGIR….Conclusões que me dão alento, direção e clareza.trazem-me esperança de ver este mundo transformado, enquanto AINDA, estivermos nele…
    Envolvido neste mundo da Alta Performance descobri nele uma legião de pessoas comprometidas,que buscam a chamada clareza naquilo que almejam.!!
    Sempre ouvindo falar em prioridades, a sacada relacionada a agendar na noite anterior 3 de nossas metas para focar nelas no dia seguinte trouxe-me a tranquilidade perdida em meio a tantas opções..Dificuldades, é claro que elas aparecerão e sempre. Mas o que é fácil de conseguir,não exige esforço e nos traz o sentimento gostoso de realização?Desconheço.
    Acredito sim, que mudanças para melhor sejam possíveis, não de forma linear, mas geométrica,e que é esta a única maneira de suplantar a mediocridade, hoje tão evidenciada.
    Te aguardamos na próxima segunda..e até lá,…BORA PRÁ ACTION…!

  • Arthur Carvalho

    Impressionante! Um pouco de empirismo sempre faz bem 🙂

  • Gisele Schneider

    Adorei! Seus textos são ótimos e inspiradores Marina. Parabéns!

  • Cristiane Lisovski

    Oi marina, esse post complementa o vídeo do goffi sobre a “balada”
    Gostei, viver e escolher com consciência é libertador.
    Tenho duas grandes lutas porém a mais exigente e deixar de comer açúcar de tipo algum e isso envolve tbem não comer carboidrato (só pode alguns de cadeia média e de vez em quanto), tbem não devo comer frutose nem lactose. Tudo isso devido a um tratamento de uma doença por um fungo que se alimenta desses açúcares. Para mim é bastante difícil, principalmente em dias de TPM ou em dias que sou mais exigida no trabalho. Ontem mesmo comi um sanduíche, tinha pão de trigo, não deveria comer porém depois de semanas sem trigo, sem glúten resolvi comemorar comendo trigo e gluten rsrs, uma comemoração consciente. Te amo guria, amo seu amor pela arte de viver.